sábado, 3 de outubro de 2009
Truculência vs. Revolta no INSS
Peritos trabalham em "operação padrão" no dia em que é implantado o ponto eletrônico que obriga-os a cumprir sua jornada de trabalho. Fazendo no máximo três perícias ao dia, diversos trabalhadores não são atendidos. Obviamente isso revolta os segurados, ao que a segurança do INSS reage com truculência, fechando os portões, deixando alguns segurados (ou pretensos segurados) em cárcere privado do lado de dentro, e ameaçando de agressão um dos queixosos. Não fosse a massa enfurecida no portão, a história não acabaria bem para esse trabalhador que foi à agência do INSS no Glicério, em São Paulo.
Eu estava lá. E minha câmera, também.
| Opinião? |
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Loucura!
De repente me lembrei do que eu disse sobre mulheres loucas. Ah, eu não disse? Então vou reformular: de repente, me lembrei de alguém...
No kibeloco.com.br...
No kibeloco.com.br...
| Opinião? |
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Quetiapina
Durante minhas andanças pela cidade, conheci um personagem interessante com o qual eu não gostaria de manter um diálogo no ônibus. Segue um trecho do conto Quetiapina. Para entendê-lo melhor, talvez seja interessante ler isso e isso.
(...)
Tomei um café na padaria tomando cuidado de não deixar ser visto o conteúdo da minha sacola. Quanta quetiapina deveria ter nela? Três mil, quatro mil reais? Duvido que se fosse roubado o ladrão conseguiria trocar esses comprimidos por uma pedra de crack. No máximo, acabaria tendo uma overdose do próprio psicotrópico. Talvez fosse mesmo melhor que eu fosse assaltado a ter que bater na porta da velha clínica, com o risco de encontrar meu psiquiatra barbudo que iria tentar me fazer retomar o tratamento, dizendo que abandoná-lo faz parte de um quadro de depressão ou qualquer outra baboseira clínica que mantenha as pessoas reféns de eternas sessões de psicoterapia.
Morar no centro de São Paulo é incrível, quando em todas as avenidas pode-se deslocar para qualquer ponto da cidade pagando a tarifa de dois e trinta e cinco do ônibus. Extende-se o braço durante 30 segundos e logo já se está a caminho até mesmo de um lugar longíquo como a Cidade Tiradentes. É claro que isso demandava certa estratégia: não é inteligente pegar qualquer ônibus as oito da manhã, a não ser que a necessidade o obrigue. Também é preciso se programar para voltar antes das 17h, para não ser forçado a ser tratado como uma fatia carne de um churrasco grego abarrotado prestes a ser mordido por alguém que tenha um estômago tão corajoso quanto o de um avestruz.
Para meu azar, o microônibus com destino a Barro Branco, que passa próximo a Av. dos Metalúrgicos -- onde situa-se a maldita clínica, estava lotado. Mas como um lampejo de sorte ou de interferência divina, um assento continuava livre, mesmo que as pessoas continuassem se espremendo à sua volta, talvez por falta de calor humano naquele dia chuvoso na cidade que, apesar de ser a mais populosa do país, é também a metrópole da solidão. Viver em São Paulo evidencia que pode-se estar só mesmo rodeado de 20 milhões de pessoas. A verdadeira solidão não vem de fora, mas de dentro de um coração que não consegue acalentar-se com nada que outras pessoas tenham a oferecer.
Tomei o assento como se fosse uma lagoa de água doce e cristalina no deserto do Saara. Uma idosa que certamente teria problemas cardíacos por esbanjar uma massa corporal que certamente exigia que seu débil coração trabalhasse mais que o triplo do que deveria trabalhar segurava uma sacola e parecia ter acabado de vir da feira. A coroa de um abacaxi que imagino que ela não conseguiria descascar espetava-me quase à altura do rosto, mas não tive coragem de interromper esse contato já que certamente ele terminaria com a necessidade de levantar e ceder o assento para a velha. Não estava disposto a ser cavalheiro, não quando precisava passar pelo menos 2 horas indo de um ponto a outro da cidade.
Percebi um perfume adocicado e barato vindo da mulher ao meu lado. Ao me sentar, vi que dividiria o espaço com uma pessoa de cabelos longos e loiros, mas não reparei em detalhes que me fariam perceber se valia ou não à pena fantasiar um possível contato no ônibus que terminaria de maneira tórrida na minha velha cama de casal. Há muito já tinha parado de idealizar situações que nunca aconteceriam. A sacola nos meus pés balançava tanto quanto o veículo que parecia não dispor de amortecedores, que hora voava por ruelas que pareciam ter sido construídas para carroças, hora parava em semáforos ou em congestionamentos que só tendiam a piorar com a chuva.
Esqueci o celular. Não que estivesse esperando alguma ligação, até porque, ninguém tinha como hobby jogar conversa fora com um quarentão calvo que levava a vida com amargura e ceticismo. Uma pane no pequeno aparelho também tinha feito com que eu perdesse a agenda, sendo reservada a ele a mesma função para a qual serviria qualquer relógio de pulso. De relance, percebi por baixo da manga fina e branca da mulher que dividia comigo o banco apertado a silhueta do que poderia ser um desses artefatos que marcam as horas.
-- Por gentileza, sabe que horas são? -- preocupado com o horário em que o hospital fecharia, perguntei.
-- Meu relógio não está funcionando, parou há alguns dias -- ela respondeu.
Para que raios alguém manteria no pulso um relógio quebrado? Seria algum fetiche ou a falta de uma pulseira? Poderia ser preguiça de desafivelar aquelas desconfortáveis presilhas de metal?
-- Eu nunca tiro o relógio, nem para dormir -- ela arrematou, como que respondendo minhas indagações que não tinha tido coragem de verbalizar.
Mesmo assim, não me parecia muito coerente. Eu mesmo já tinha usado relógio, até comprar o meu primeiro celular. Não costumava tirá-lo muito, mas com certeza se ele me deixasse na mão deixando de fazer aquilo para o qual ele tinha sido feito, eu teria arranjado-lhe uma morte digna à marretadas ou lançando-o de meu apartamento no 25º andar. Tenho certeza de que me deleitaria vendo o final merecido de um objeto que, quebrado, só serviria para me fazer arrepender-se de ter gastado algum dinheiro para obtê-lo.
-- Não sou muito diferente, o celular que esqueci só mostra as horas mas não faz ligações -- respondi, fingindo ser simpático.
Ela sorriu. Não sei como percebi o sorriso por trás do cabelo levemente embaraçado, mas nessa hora atentei-me de que suas feições pareciam ter sido desenhadas por aqueles artistas que vendiam quadros desenhados na hora na Praça da Sé.
(...)
Para ler inteiro, clique aqui. Você precisa ter estômago forte e provavelmente vai ter problemas em escolher o assento do ônibus da próxima vez.
(...)Tomei um café na padaria tomando cuidado de não deixar ser visto o conteúdo da minha sacola. Quanta quetiapina deveria ter nela? Três mil, quatro mil reais? Duvido que se fosse roubado o ladrão conseguiria trocar esses comprimidos por uma pedra de crack. No máximo, acabaria tendo uma overdose do próprio psicotrópico. Talvez fosse mesmo melhor que eu fosse assaltado a ter que bater na porta da velha clínica, com o risco de encontrar meu psiquiatra barbudo que iria tentar me fazer retomar o tratamento, dizendo que abandoná-lo faz parte de um quadro de depressão ou qualquer outra baboseira clínica que mantenha as pessoas reféns de eternas sessões de psicoterapia.
Morar no centro de São Paulo é incrível, quando em todas as avenidas pode-se deslocar para qualquer ponto da cidade pagando a tarifa de dois e trinta e cinco do ônibus. Extende-se o braço durante 30 segundos e logo já se está a caminho até mesmo de um lugar longíquo como a Cidade Tiradentes. É claro que isso demandava certa estratégia: não é inteligente pegar qualquer ônibus as oito da manhã, a não ser que a necessidade o obrigue. Também é preciso se programar para voltar antes das 17h, para não ser forçado a ser tratado como uma fatia carne de um churrasco grego abarrotado prestes a ser mordido por alguém que tenha um estômago tão corajoso quanto o de um avestruz.Para meu azar, o microônibus com destino a Barro Branco, que passa próximo a Av. dos Metalúrgicos -- onde situa-se a maldita clínica, estava lotado. Mas como um lampejo de sorte ou de interferência divina, um assento continuava livre, mesmo que as pessoas continuassem se espremendo à sua volta, talvez por falta de calor humano naquele dia chuvoso na cidade que, apesar de ser a mais populosa do país, é também a metrópole da solidão. Viver em São Paulo evidencia que pode-se estar só mesmo rodeado de 20 milhões de pessoas. A verdadeira solidão não vem de fora, mas de dentro de um coração que não consegue acalentar-se com nada que outras pessoas tenham a oferecer.
Tomei o assento como se fosse uma lagoa de água doce e cristalina no deserto do Saara. Uma idosa que certamente teria problemas cardíacos por esbanjar uma massa corporal que certamente exigia que seu débil coração trabalhasse mais que o triplo do que deveria trabalhar segurava uma sacola e parecia ter acabado de vir da feira. A coroa de um abacaxi que imagino que ela não conseguiria descascar espetava-me quase à altura do rosto, mas não tive coragem de interromper esse contato já que certamente ele terminaria com a necessidade de levantar e ceder o assento para a velha. Não estava disposto a ser cavalheiro, não quando precisava passar pelo menos 2 horas indo de um ponto a outro da cidade.
Percebi um perfume adocicado e barato vindo da mulher ao meu lado. Ao me sentar, vi que dividiria o espaço com uma pessoa de cabelos longos e loiros, mas não reparei em detalhes que me fariam perceber se valia ou não à pena fantasiar um possível contato no ônibus que terminaria de maneira tórrida na minha velha cama de casal. Há muito já tinha parado de idealizar situações que nunca aconteceriam. A sacola nos meus pés balançava tanto quanto o veículo que parecia não dispor de amortecedores, que hora voava por ruelas que pareciam ter sido construídas para carroças, hora parava em semáforos ou em congestionamentos que só tendiam a piorar com a chuva.
Esqueci o celular. Não que estivesse esperando alguma ligação, até porque, ninguém tinha como hobby jogar conversa fora com um quarentão calvo que levava a vida com amargura e ceticismo. Uma pane no pequeno aparelho também tinha feito com que eu perdesse a agenda, sendo reservada a ele a mesma função para a qual serviria qualquer relógio de pulso. De relance, percebi por baixo da manga fina e branca da mulher que dividia comigo o banco apertado a silhueta do que poderia ser um desses artefatos que marcam as horas.
-- Por gentileza, sabe que horas são? -- preocupado com o horário em que o hospital fecharia, perguntei.
-- Meu relógio não está funcionando, parou há alguns dias -- ela respondeu.
Para que raios alguém manteria no pulso um relógio quebrado? Seria algum fetiche ou a falta de uma pulseira? Poderia ser preguiça de desafivelar aquelas desconfortáveis presilhas de metal?
-- Eu nunca tiro o relógio, nem para dormir -- ela arrematou, como que respondendo minhas indagações que não tinha tido coragem de verbalizar.
Mesmo assim, não me parecia muito coerente. Eu mesmo já tinha usado relógio, até comprar o meu primeiro celular. Não costumava tirá-lo muito, mas com certeza se ele me deixasse na mão deixando de fazer aquilo para o qual ele tinha sido feito, eu teria arranjado-lhe uma morte digna à marretadas ou lançando-o de meu apartamento no 25º andar. Tenho certeza de que me deleitaria vendo o final merecido de um objeto que, quebrado, só serviria para me fazer arrepender-se de ter gastado algum dinheiro para obtê-lo.
-- Não sou muito diferente, o celular que esqueci só mostra as horas mas não faz ligações -- respondi, fingindo ser simpático.
Ela sorriu. Não sei como percebi o sorriso por trás do cabelo levemente embaraçado, mas nessa hora atentei-me de que suas feições pareciam ter sido desenhadas por aqueles artistas que vendiam quadros desenhados na hora na Praça da Sé.
(...)
Para ler inteiro, clique aqui. Você precisa ter estômago forte e provavelmente vai ter problemas em escolher o assento do ônibus da próxima vez.
| Opinião? |
domingo, 13 de setembro de 2009
Da perda do hímem
"A vida corresponde a um processo continuo e sucessivo de rituais de passagem"
(in: Os rituais de passagem segundo adolescentes)
Demorei algum tempo para perder a minha virgindade. Se encarar essa frase da forma convencionada em nossa sociedade e me conhecer um pouco enquanto indivíduo, talvez pareça meio estranho ver essas palavras proferidas por mim aos 25 anos de minha vida. Quem me conhece bem, certamente deu uma gargalhada antes de chegar ao segundo ponto final deste parágrafo.
Clamo todavia por uma derivação por extensão do sentido da palavra virgem, significado para o qual costuma-se usar o vocábulo "virginal". Convido por alguns instantes a entender a palavra "virgem" como "casto, puro, imaculado, inocente". Posto isso, explico o porquê da afirmação com a qual iniciei esse texto.
Refleti esses dias sobre o quanto algumas experiências que passei me fizeram ser um homem diferente se comparado com outrora. Muitas dessas vivências foram oriundas de clímax prazeirosos que superam -- mas incluem -- os limites do sexo, e no limite me levaram a ser obrigado a interromper alguns hábitos por falta de opção ou por insights de lucidez. Independente disso, hoje posso olhar com certo ceticismo para algumas situações que outrora me enebriavam, sabendo que o curso dos acontecimentos apesar de trazer extrema satisfação, na verdade maculam tanto o caráter que impede que quem as viva possa ter algum prazer real e passe a ter uma constante insatisfação e uma busca infinita por um prazer impossível de ser alcançado.
Em matéria de sexo, por exemplo, posso dizer que as orgias e outras fantasias são muito divertidas e com certeza prazeirosas, até que percebe-se que o trivial não trás mais prazer, e que o tão almejado "amor" fica cada vez mais distante no irreal mundo das idéias que não materializam-se no imperfeito mundo dos fenômenos. Ainda nesse prisma, lembro-me de pelo menos três parceiras que eram ótimas no quesito química, mas cujo caráter valia tão pouco que acabaram por baixar o preço do meu próprio caráter.
Outros prazeres, inenarráveis, químicos, "naturais", que nos embriagam com nossa própria dopamina, endorfina, serotonina, também custam caro demais quando percebe-se que o cérebro já está com alguma deficiência para suprir o desejo artificialmente aumentado desses hormônios.
Há também a satisfação de jogar um cartão Platinum em uma mesa cuja conta poderia pagar as compras de três meses de uma família do Norte do país. Gastar sem olhar o extrato, comprar coisas inúteis, beber R$600 em cachaça e tequila em 4 horas... É muito bom! No dia seguinte, volta a vontade de gastar.
Penso que são as experiências que definem o caráter. Para serem de fato experiências, elas precisam ter sido vividas, mas tão importante quanto isso, elas precisam ter passado e ter deixado marcas. Eu particularmente me sinto um tanto marcado. Quase morri -- duas vezes. Hoje não posso mais correr, meu joelho não me permite. Meus pulmões continuam sendo os mesmos que quase me mataram em 2003. Há alguns dias, tive que tomar cortizona para deter uma crise asmática logo no início.
As experiência que nos tiram a inocência -- ou a virgindade -- podem nos tornar pessoas melhores ou deixar-nos como escravos para sempre. Também podem nos matar -- ou quase isso. Independente de tudo, creio que só com essas malditas experiências que se aprende o que fazer -- e o principal, o que não fazer -- para conduzir o curso da própria vida.
E eu não acredito em conselhos. Quem fica rico enlatando os conselhos e publicando-os na seção de auto-ajuda só está vendendo a ilusão de que não é necessário conhecer realmente para se viver. Alguns contentam-se com isso. Outros, como eu, preferem enfiar a cara no mundo, mesmo que isso resulte em quebrar a cara seguidamente.
Só precisei enfiar a mão no fogo uma vez para aprender que ele queima. Não fossem incontáveis as possibilidades de se quebrar a cara, eu poderia acreditar que nunca mais irei errar novamente. É a regra à qual estamos todos fadados: estar vivo implica em viver.
Ao menos, não sou mais virgem. Será?
(in: Os rituais de passagem segundo adolescentes)
Demorei algum tempo para perder a minha virgindade. Se encarar essa frase da forma convencionada em nossa sociedade e me conhecer um pouco enquanto indivíduo, talvez pareça meio estranho ver essas palavras proferidas por mim aos 25 anos de minha vida. Quem me conhece bem, certamente deu uma gargalhada antes de chegar ao segundo ponto final deste parágrafo.
Clamo todavia por uma derivação por extensão do sentido da palavra virgem, significado para o qual costuma-se usar o vocábulo "virginal". Convido por alguns instantes a entender a palavra "virgem" como "casto, puro, imaculado, inocente". Posto isso, explico o porquê da afirmação com a qual iniciei esse texto.Refleti esses dias sobre o quanto algumas experiências que passei me fizeram ser um homem diferente se comparado com outrora. Muitas dessas vivências foram oriundas de clímax prazeirosos que superam -- mas incluem -- os limites do sexo, e no limite me levaram a ser obrigado a interromper alguns hábitos por falta de opção ou por insights de lucidez. Independente disso, hoje posso olhar com certo ceticismo para algumas situações que outrora me enebriavam, sabendo que o curso dos acontecimentos apesar de trazer extrema satisfação, na verdade maculam tanto o caráter que impede que quem as viva possa ter algum prazer real e passe a ter uma constante insatisfação e uma busca infinita por um prazer impossível de ser alcançado.
Em matéria de sexo, por exemplo, posso dizer que as orgias e outras fantasias são muito divertidas e com certeza prazeirosas, até que percebe-se que o trivial não trás mais prazer, e que o tão almejado "amor" fica cada vez mais distante no irreal mundo das idéias que não materializam-se no imperfeito mundo dos fenômenos. Ainda nesse prisma, lembro-me de pelo menos três parceiras que eram ótimas no quesito química, mas cujo caráter valia tão pouco que acabaram por baixar o preço do meu próprio caráter.
Outros prazeres, inenarráveis, químicos, "naturais", que nos embriagam com nossa própria dopamina, endorfina, serotonina, também custam caro demais quando percebe-se que o cérebro já está com alguma deficiência para suprir o desejo artificialmente aumentado desses hormônios.
Há também a satisfação de jogar um cartão Platinum em uma mesa cuja conta poderia pagar as compras de três meses de uma família do Norte do país. Gastar sem olhar o extrato, comprar coisas inúteis, beber R$600 em cachaça e tequila em 4 horas... É muito bom! No dia seguinte, volta a vontade de gastar.Penso que são as experiências que definem o caráter. Para serem de fato experiências, elas precisam ter sido vividas, mas tão importante quanto isso, elas precisam ter passado e ter deixado marcas. Eu particularmente me sinto um tanto marcado. Quase morri -- duas vezes. Hoje não posso mais correr, meu joelho não me permite. Meus pulmões continuam sendo os mesmos que quase me mataram em 2003. Há alguns dias, tive que tomar cortizona para deter uma crise asmática logo no início.
As experiência que nos tiram a inocência -- ou a virgindade -- podem nos tornar pessoas melhores ou deixar-nos como escravos para sempre. Também podem nos matar -- ou quase isso. Independente de tudo, creio que só com essas malditas experiências que se aprende o que fazer -- e o principal, o que não fazer -- para conduzir o curso da própria vida.
E eu não acredito em conselhos. Quem fica rico enlatando os conselhos e publicando-os na seção de auto-ajuda só está vendendo a ilusão de que não é necessário conhecer realmente para se viver. Alguns contentam-se com isso. Outros, como eu, preferem enfiar a cara no mundo, mesmo que isso resulte em quebrar a cara seguidamente.
Só precisei enfiar a mão no fogo uma vez para aprender que ele queima. Não fossem incontáveis as possibilidades de se quebrar a cara, eu poderia acreditar que nunca mais irei errar novamente. É a regra à qual estamos todos fadados: estar vivo implica em viver.
Ao menos, não sou mais virgem. Será?
| Opinião? |
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Sacanagem Institucionalizada
Texto censurado. Aqui na China, o Estado controla todas as informações que podemos divulgar.


E quanto aos juros? 12% num cartão de crédito, é razoável? 12% ao mês? Meu salário foi reajustado em 13% no ano passado. No ano! Ou seja, o cartão tem juros de 144%, meu salário, 131% a menos de reajuste.
Não bastasse, ainda existe a cobrança de anuidade. Vamos entender isso: o estabelecimento que vende com uma bandeira de cartão qualquer tem uma cobrança de mais ou menos 4% no valor da venda a título de remuneração para a administradora. O cliente paga juros pelo valor dessa compra na fatura seguinte. Além dessas duas remunerações, o banco ainda cobra R$30 ao mês a título de anuidade. Quanto esses caras estão lucrando?
Tem mais? Tem sim, muito mais. Mas isso foram algumas das coisas "erradas" que me vieram à mente depois de uma amiga ter me contado as tarifas que o banco está tentando usurpar. Quem sabe outro dia me inspiro e escrevo mais.
Observação pós-censura: Assalariado que sou, só me resta a opção de ficar calado. Não me perguntem o porquê.
| Opinião? |
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Novo ENEM substitui vestibulares e tenta facilitar o acesso ao Ensino Superior
Escrevi sobre o Novo ENEM para o boletim informativo do ikariam.br
Com a proposta de "democratizar as oportunidades de acesso às vagas federais de ensino superior", o tradicional Exame Nacional do Ensino Médio -- o ENEM, foi reformulado pelo Ministério da Educação e será adotado por diversas Universidades como substituto dos vestibulares. Apesar da intenção do governo, nem todos os educadores estão de acordo com as mudanças realizadas."As mudanças do Enem são a mesma coisa que o PAC. Muita propaganda e nenhuma novidade", diz Antonio Carlos Olivieri, diretor da Página 3 Pedagogia e Comunicação e provedor de conteúdo para o UOL Educação. Ele não acredita que o exame tenha mudanças significativas. "[Mudou] só a maneira de apresentar o tema, mas no fundo exige-se a mesma coisa", reitera.
O ENEM surgiu como uma forma de avaliar a educação do Ensino Médio, e diferente dos vestibulares, dá prioridade à capacidade do aluno de compreender o enunciado, argumentar e resolver problemas, ao contrário da exigência do "decoreba" tão conhecido dos alunos que fazem um ou dois anos de curso pré-vestibular.
A prova atual baseia-se em cinco eixos cognitivos: dominar linguagens, o que inclui a capacidade de expressão na linguagem matemática, artística, espanhola e inglesa, compreender fenômenos, enfrentar situações-problema, construir argumentação e elaborar propostas (vide quadro abaixo). Olivieri ressalta que é fundamental saber interpretar textos, a fim de compreender os enunciados e responder corretamente a questão.
Na última lista divulgada pelo MEC, pelo menos 59 Universidades Federais já aderiram ou confirmaram aderir futuramente ao novo ENEM como substituto de seus próprios vestibulares. A prova será igual em todo o país e ocorrerá nos dias 3 e 4 de Outubro de 2009, e as inscrições já foram encerradas. O Ministério promete uma nova avaliação em Março ou Abril de 2010, e antecipa a proposta de duas avaliações por ano.
Como estudar para a prova?
Na teoria, os vestibulares deveriam se pautar no conteúdo do Ensino Médio para avaliar o preparo dos estudantes pretensos a ingressar no ambiente acadêmico. Como o que ocorre na prática é exatamente o inverso, muitas vezes o examinando não confrontou alguns conteúdos na sala de aula e é obrigado a fazer um curso pré-vestibular. Para quem vai prestar o ENEM, existem alternativas na web para auxiliar nos estudos:
SIMULADO DO ENEM: O Ministério da Educação divulgou as questões-modelo para o exame desse ano, e o UOL preparou um simulado online para quem quer testar seus conhecimentos;
RESUMOS: No mesmo portal, estão oferecidos resumos de todos os conteúdos abordados nos vestibulares do país, além de síntese de diversas obras exigidas para as questões de literatura.
PERGUNTAS E RESPOSTAS: O site do próprio MEC responde dúvidas comuns aos estudantes que irão prestar o ENEM.
Na teoria, os vestibulares deveriam se pautar no conteúdo do Ensino Médio para avaliar o preparo dos estudantes pretensos a ingressar no ambiente acadêmico. Como o que ocorre na prática é exatamente o inverso, muitas vezes o examinando não confrontou alguns conteúdos na sala de aula e é obrigado a fazer um curso pré-vestibular. Para quem vai prestar o ENEM, existem alternativas na web para auxiliar nos estudos:
SIMULADO DO ENEM: O Ministério da Educação divulgou as questões-modelo para o exame desse ano, e o UOL preparou um simulado online para quem quer testar seus conhecimentos;
RESUMOS: No mesmo portal, estão oferecidos resumos de todos os conteúdos abordados nos vestibulares do país, além de síntese de diversas obras exigidas para as questões de literatura.
PERGUNTAS E RESPOSTAS: O site do próprio MEC responde dúvidas comuns aos estudantes que irão prestar o ENEM.
| Opinião? |
Assinar:
Postagens (Atom)

