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Direto do Egito: Revolução precisa avançar!

A revolução no Egito foi vitoriosa ao derrubar Mubarak, mas ainda existe muito a avançar. Nem todas as reivindicações do povo foram atendidas: em especial, a queda de todos os líderes ligados ao antigo ditador e a libertação dos presos políticos. Além de novas prisões e torturas ocorrendo no país, o governo de transição manteve no poder Mohamed Hussein Tantawi, ex-general de Mubarak, reconhecido pelo próprio governo norte-americano como um dirigente conservador.
O povo está em festa até agora, mas existe uma forte pressão, tanto internacional, como das forças armadas, para limitar a revolução. "O povo trabalhador está alerta. A bruxa ainda está solta, vamos ver", diz Fábio Bosco, enviado da LIT-QI ao Egito, com exclusividade para este blog. "Já houve um primeiro triunfo, agora se disputa se a revolução para ou avança, isso não está claro. O governo, o exército, o imperialismo [e] os partidos burgueses de oposição querem parar o processo", complementa.
O processo que Bosco menciona é justamente a onda revolucionária que se alastra pelo Oriente Médio, podendo inclusive influenciar países da Europa onde já há a revolta contra as reformas previdenciárias e outras medidas governamentais que afetam negativamente os trabalhadores. "[Há uma] pressão total para brecar a revolução. [Vem] dinheiro dos EEUU e Europa para tentar corromper o novo sindicalismo. É um terror", resume.
Apesar da conjuntura indefinida quanto aos rumos que a revolução deve tomar, Fábio diz que é difícil que os fundamentalistas assumam o governo do Egito, como aconteceu no Afeganistão no passado. "Os fundamentalistas aqui são muito fracos. A irmandade muçulmana é neoliberal, e a ala que prevalece não é fundamentalista", explica. "A massa é contra o imperialismo e contra Israel, mas os partidos burgueses, entre os quais a irmandade, querem só uma convivência pacífica".
Face à conjuntura atual, os trabalhadores egípcios ainda não estão satisfeitos e seguem na luta. Derrubar Mubarak foi o primeiro passo. Mas só o primeiro.

(agradecimento especial ao Fábio Bosco)
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Kadafi e a Europa: Sempre bons negócios

Por trás da pressão internacional para Kadafi deixar o poder na Líbia, um histórico de boas relações comerciais contradiz os governos dos Estados Unidos e da União Européia, que outrora"anistiaram" o ditador responsável por diversos ataques terroristas internacionais, incluindo uma bomba em um avião da PanAm que sobrevoava a Escócia. Vou colocar alguns dados que coletei em uma palestra e em pesquisas e suas interpretações, além de mostrar que o ditador tem muito a ver com logomarcas que todos nós conhecemos.
Muamar Kadafi tomou o poder na Líbia através de um golpe militar, pregando o fim do colonialismo italiano e exaltando o nacionalismo líbio. Tão logo virou chefe de Estado, expulsou da Líbia todos os italianos (segundo dados do "O Globo", mais de 20.000) e tomou suas propriedades. Mesmo assim, sua relação comercial com a Itália não foi abalada: em 1956, a ENI (gigante de energia italiana) começou a operar no país, e lá se mantém até hoje. Hoje, pelo menos 22% de todo o petróleo da Líbia e 10% do gás natural são fornecidos com exclusividade para a Itália. (fonte: Luiz Felipe Lampreia em "O Globo")
E não é foi só com o fornecimento de petróleo que a Europa se beneficiou do dinheiro de Kadafi: o ditador chegou a fazer um aporte na Fiat quando a empresa estava na iminência de quebrar, adquirindo 10% do capital acionário da montadora. Em plena crise mundial de 2008, o Banco Central da Líbia adquiriu 4% do UniCredit, o maior banco italiano e um dos maiores da Europa, salvando o banco que estava passando por uma situação problemática. Até no Juventus ele tem participação: 7,5% foram comprados pelo Fundo Soberano da Líbia, o que garantiu que seu filho treinasse e participasse de alguns jogos no time.
Estima-se que Kadafi tenha participação em 72 companhias em mais de 45 países (fonte: IstoÉ Dinheiro). No nosso país temos o banco ABC Brasil, filial do Arab Banking Corp, do qual ele é acionista, além de 1,2 bilhões de dólares investidos na Bahia em produção de alimentos, em parceria com a Odebrecht. Por toda a Europa, tem participações em petrolíferas, mineradoras, imóveis e até na mídia: é um dos investidores do Financial Times. Na Ásia, é dono de uma rede de hotéis e no Marrocos, de supermercados. Beneficiaram-se também do fundo líbio empresas como a Xerox, Shell, Siemens, Móbil, etc.
Não é de se espantar, portanto, que as armas da parcela fiel de seu exército (cerca de 5.000 de 400.000 homens) foram fornecidas por países Europeus e hoje são usada contra o povo. Mesmo com o congelamento de parte de suas reservas em outros países, Kadafi ainda conta com fundos depositados em Trípoli, que permitem-no financiar a guerra contra seus opositores. Depois de toda essa "lua de mel", os países que outrora beneficiaram-se do ditador, para aplacar o clamor público (e a possibilidade da revolução atingir outros países, tanto no Oriente Médio, como na própria Europa, onde há uma crise por conta das reformas previdenciárias), agora pedem sua saída.
Parte do povo líbio não aceita a intervenção militar internacional, e com razão. Que democracia aqueles que apoiaram a ditadura pretendem implantar no país? A continuidade da submissão, da extração de recursos, de desvio das riquezas e benefício da burguesia local? Derrubar o ditador significa acabar com a submissão, tanto ao governo quanto à exploração internacional, essa é a verdadeira luta do povo na Líbia. Isso sim é acabar com a ditadura. Caso contrário, chamar o novo regime de democracia será apenas uma diferenciação semântica.
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É hora de começar! O oriente médio já começou.

A revolução continua no mundo árabe. Tunísia, Omã, Egito, Paquistão, Líbia, este último, objeto onde vou concentrar minhas atenções neste artigo. Veja que há uma característica peculiar neste país: como quase todos países africanos, a massa dividida em tribos e campesinos (com a diferença de que este tem o maior PIB de toda a África), e revoltou-se contra Muamar Kadafi, que está no poder desde 1977.
Amílcar Cabral, filósofo africano (sim, africano!) de Cabo Verde explica que existe uma diferença fundamental entre o regime colonial que vigorou (e vigora) na África e no resto do mundo: enquanto, mesmo querendo explorar os recursos locais, os colonizadores tentavam estruturar (ou permitiam a estruturação) de uma sociedade local nos outros países, a África foi uma região apenas de pilhagem, sem intenção de estímulo de infra-estrutura local. A consequência é que hoje a África em sua maioria continua sendo apenas fornecedora de recursos para os grande países do Imperialismo, que apoia suas ditaduras enquanto lhes é conveniente, e a população é cada vez mais miserável -- vide a Etiópia, onde são "famosas" as fotos de crianças raquíticas (fonte: meus colegas da Unifesp que traduziram um texto sobre a biografia deste filósofo).
Muammar Kadafi entrou no poder em 1944, supostamente, à partir de uma revolução, expulsando os italianos enfraquecidos pela 2º Guerra Mundial (ao bem na verdade, houve um acordo para que os colonizadores deixassem o país e colocassem o ditador no poder). Rompeu os acordos estabelecidos com o Imperialismo assumidos pela antiga monarquia passou a ser odiado pelos países europeus e americanos. Foi forçado a restabelecer as relações com esses países no final dos anos 90, quando percebeu-se que as reservas de petróleo do país não podiam ser simplesmente ignoradas (fonte). A burguesia local enriqueceu cada vez mais e o povo continuou dividido em tribos. Aí a ditadura passou a ser aceita pelos Estados Unidos.
A revolução, fruto do efeito cascata começado na vitoriosa Tunísia e na derrubada de Mubarak (veja, não há aqui o papel do Facebook), além das sanções que começaram a ser impostas pela Europa, estimularam o as tribos e setores do exército a ir às ruas para derrubar Kadafi. Seu regime ditatorial rege o país a ferro e fogo há 34 anos. O mundo ocidental começa a apoiar a revolução, inclusive, com movimentação do exército norte-americano. Não podemos ser ingênuos e pensar que isso é uma bondade espontânea desses países.

Retomando Amílcar Cabral, a África é um continente de pilhagem. A Líbia tem o que os Estados Unidos mais querem, uma enorme reserva de petróleo, e não querem perder essa boquinha. Cominam-se aí dois interesses: manter um de seus fornecedores e perpetuar seu imperialismo no ocidente. Imagine os efeitos desastrosos de todo o mundo que perceba que pode sim tomar os controles dos meios de produção, derrubando não só essas ditaduras mas os governos que se rendem ao controle americano "de forma democrática", através do controle da opinião pública e da consequente alienação que isso produz. É hora de se proteger usando sua arma mais forte: a própria opinião pública. Europa e EUA se reúnem para parecer que são os bons da história.
Não podemos defender nem Kadafi nem o apoio dos Estados Unidos. O poder é do povo, os benefícios devem ser para o povo, quem precisa governar é o próprio povo, não quem não os representa. É hora de ter a consciência de que a ditadura se estende não só aos regimes ditatoriais propriamente ditos, mas à pseudo-democracia que rege as atuais colônias imperialistas -- nas quais se inclui o Brasil, e assumir o controle daquilo que deveria ser nosso. É hora de ter um governo que nos represente de fato, no mundo todo, acabando com a concentração de renda e o enriquecimento da burguesia em detrimento dos trabalhadores.
É hora, mais que nunca, de ter consciência. O mundo árabe está nos ensinando que é possível sim acabar com a dominação de quem não defende seus próprios interesses. Se lá é possível, aqui também é possível. Temos de ser contrários tanto à ditadura quanto a uma democracia que não existe de fato. Temos que assumir o controle de nossas próprias vidas. E o primeiro passo para isso é deixar de acreditar nas mentiras e acreditar que temos sim a força para derrubar aqueles que nos exploram dia a dia, que distribuem esmolas aos pobres e exploram a massa trabalhadora. Com essa consciência e com união, podemos fazer um mundo melhor. Um mundo nosso. Um mundo onde "todos possam ser iguais" tal qual diz a letra morta da nossa Carta Magna, e os trabalhadores representem os próprios trabalhadores. É hora de começar! O orienta já começou.
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Por que o governo remprime as manifestações contra o aumento do ônibus?

A constituição assegura, em seu artigo 5o., que é livre a manifestação de pensamento, vedando somente o anonimato. Assegura também a liberdade de expressão, independente de censura ou licença, tornando explícito também que ninguém precisa pedir autorização para tal. Por que é então que o governo reprime as manifestações, tanto contra o aumento da tarifa de ônibus, quanto qualquer outra que seja divergente com as políticas estabelecidas por eles?
Indivíduos pensantes são indivíduos perigosos. O Egito e a Tunísia mostraram que o povo reunido pode derrubar até uma ditadura, quiçá um presidente. Na época do governo militar, direitos como os citados no primeiro parágrafo desse texto e outros foram tolhidos, a fim de garantir a permanência dos militares no poder. Isso tudo foi por água abaixo com as "diretas já", quando todo mundo foi para a rua para pedir eleições diretas para o executivo. Mais uma vez, o povo demonstrou que sua voz é, incondicionalmente, a vontade suprema do Estado.
A Carta Magna é muito bonita, mas muito do que diz é letra morta. Lembro-me de uma manifestação contra a vinda de Bush ao Brasil, em que eu estava presente e quase tomei uma bomba de efeito moral na cabeça. Durante as greves, também, é flagrante a violação ao direito dos trabalhadores estabelecido no 9o. artigo da constituição, que prevê, inclusive, detenção para quem o desrespeitar. Repetidas vezes fui tirado da frente de agências e complexos bancários pela truculência policial -- uma vez, quase fui detido ilegalmente, e não raro os banqueiros ameaçam seus empregados com demissões e outros tipos de punição (no caso dos bancos públicos) quando eles aderem ao movimento grevista.

Se o Estado permite que o povo fale, o Estado tem que ouvir seu povo. É mais fácil calar quando não é possível ignorar. A mordaça do Estado é a polícia. Quem se manifesta contrário aos abusos do Poder Público, tal qual um aumento abusivo da tarifa de ônibus, põe em risco todos os outros abusos cometidos por eles. Isso não é conveniente para quem está no poder.
Mas no Egito, de nada adiantou tentar calar o povo. Uma hora, o barulho das vozes ficou tão alto que não foi possível ignorá-los, nem amordaçá-los. Em São Paulo, se faz cada vez mais barulho, e a despeito da mordaça, a população permanece indignada e vai às ruas, mesmo com a repressão. Note-se que não só os movimentos sociais estão engajados nessa luta: os estudantes, que deveriam ter o direito ao passe livre -- esse sim, um real incentivo à educação de qualidade, não os paleativos estabelecidos pela Dilma -- também estão apanhando da polícia. Na última manifestação, até vereadores -- eleitos pelo povo -- foram alvo da truculência policial. É o governo batendo no próprio governo. É o Estado totalitário contra o Estado democrático de direito.
Mas quanto mais o povo apanha, mais o povo grita mais alto, e mais vozes se juntam nesse coro. A luta aqui não é simplesmente contra o aumento da tarifa: é para que o governo realmente represente a vontade popular. Isso vai muito além do voto. E tolher esse direito, é cercear o direito de exercer a cidadania.
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Revolução no Egito: O que temos a ver com isso?

Desde 25 de Janeiro desse ano, a população tomou as ruas do Egito para pedir a saída de Hosni Mubarak, que governa o país desde 1981. Em 1º de Fevereiro, mais de um milhão de pessoas tomaram as ruas para protestar. Mas afinal de contas, o que raios temos a ver com isso?
Quando a maioria das pessoas não gosta de discutir nem os nossos problemas "domésticos", imaginar que a política internacional tenha alguma importância é algo ainda mais distante. Do Egito então, só se ouve falar nas aulas de história antiga que nos faz imaginar que o país é habitado por múmias e faraós. É bem verdade que as múmias não habitam o país: o governo, ao contrário, está nas mãos sim quase de um faraó.
A diferença entre o "regime faraônico" que governa o Egito e a pseudo-democracia brasileira é superficial. Óbvio que entre a censura prévia e póstera, tanto da internet quanto de outros meios de comunicação, a primeira fica mais evidente. Também existe a farsa das eleições camuflando a ditadura da burguesia, contra um regime descaradamente ditatorial lá no país africano. A evidência de uma ditadura, todavia, não é o que determina sua existência.
Vejamos: hoje o PT tem o controle sobre a mídia (não só à partir dos canais e veículos governistas mas também dos empréstimos bilionários do BNDES, publicidade e lobby das empresas estatais sem as quais a mídia não teria como sobreviver, etc), sobre os sindicatos (que supostamente representam os trabalhadores mas na realidade estão alinhados com os interesses patronais), está no governo e controla grande parte da opinião pública atrelando seu sustento diretamente aos cofres públicos, sem gerar empregos, quer sejam duradouros ou de fato (nunca antes da história desse país houve tanta rotatividade nas contratações).
Essa ditadura velada é ainda pior que a egípcia. Enquanto os trabalhadores pensam que estão representados no governo e perpetuam os governantes no poder através do voto, banqueiros e grandes empresários enriquecem com as crescentes vantagens que lhes são oferecidas, tal qual a redução dos direitos trabalhistas históricos conquistados à base de suor e sangue, políticas que acabam com os pequenos empresários e agricultores obrigando-os a trabalhar para os grandes conglomerados e latifundios e uma massa faminta que topa trabalhar por qualquer salário para sobreviver, comprando o peixe de que esse é o milagre da geração de empregos -- até que três meses depois o desemprego bata à porta.
E que não pensem que aqui não haja morte nesse confronto por debaixo dos panos. Basta perguntar em qualquer favela para saber de algum trabalhador que foi morto pela polícia quando voltava para sua casa e foi acusado de tráfico de drogas -- enquanto os grandes traficantes não estão nem nos morros cariocas nem em Heliópolis, mas sim em Copacabana, Morumbi ou Brasília, lucrando tanto com as mortes de seus "soldados" do tráfico quanto com as decorrentes do vício. Pode-se também visitar o SUS para conhecer as filas que matam os doentes na espera por atendimento, latifundios à base de trabalho escravo, ou ainda a região serrana do Rio com um desastre iminente, previsível e ignorado pelo governo há anos.
Quanto à questão da repressão aos opositores, não imaginemos que isso não acontece por aqui: é óbvio que, entre um milhão de pessoas na rua e 10 mil manifestantes protestando contra o aumento abusivo da tarifa de ônibus em São Paulo (por exemplo), há uma diferença de proporções, todavia, da mesma forma que o exército partiu para porrada no Cairo, os militares desceram o cacete aqui em São Paulo.

A luta no Egito começou à partir da internet e tomou as ruas. Hoje, o Brasil é o 8º país com mais acessos à internet no mundo, e um dos quais o acesso cresce em ritmo mais rápido -- o mais rápido da américa latina. Problemas? Temos os mesmos: fome, falta de empregos, miséria, e outros inumeráveis... Está na hora de assumirmos essa luta e resolver aquilo que o governo não resolve e nunca irá fazê-lo por nós. O que o Egito tem a ver conosco? Tudo. Eles estão mostrando que lutar é possível, que trás resultados, e que quem manda na verdade é o povo. Podemos sim derrubar aqueles que não nos representam, acabar com a exploração e com a desigualdade: basta querer. O Egito quer.
 
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