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Shakti

O beijo é só fluído,
Com amor, é transcendente.
O sexo é só físico,

Com amor é tântrico.
O corpo é só carne,
Com amor, é templo.
A vida é só dia a dia,
Com amor, é sagrada.
A inspiração é só um impulso,
Com amor, é criação.
O amor é só chama,
Com você, é amor.

(Até aqui em 04/02/2010)

Mas Kali, rainha do tempo, 
dançou sobre mim,
E o tempo mostrou que ainda isso era maya.
Despido de véus, 
O beijo era só fluído,
O sexo era só carne,
O amor era só palavra.
O nirvana, quando muito, foi satori.
E daquilo, tudo aquilo, que com ela parecia transcendente,
Só o corpo, o singular, era templo.
Como Kali, com o tempo me mostrou,
O que parecia além, era maya, 
E o que, não era maya, era eu.




Definição de "Shakti" pelo google: Shákti significa o poder de um deus, na religião e mitologia indianos. Significa também sua esposa. Assim, Párvati é a shákti de Shiva, Lákshmi a de Vishnu e Sarasvati a de Brahma.completado pela Wikipedia: O sistema indiano de divindades se refere à Shakti como a manifestação da energia. Shakti, a deusa mãe, também conhecida como ambaa (mãe), ou devi (deusa). É considerada a personificação da energia cósmica em sua forma dinâmica(...). Acredita-se que Shakti seja a força e a energia nas quais o universo é criado, preservado, destruído e recriado (...).
Definição de "Tantra" pela wikipedia
: A palavra "tantra" é composta por duas raízes acústicas: (...) "tan" significa expansão e "tra" libertação. Tal denominação tem as suas raízes em factores históricos muito sutis, pois esta filosofia comportamental, durante a época medieval, foi severamente reprimida na India Hinduista, fortemente espiritualizada. Esta era a forma como os seguidores desta filosofia a viam. Libertadora, mas mantida em segredo (na escuridão). (...) Baseado quase inteiramente no culto de Shiva e Shakti, o tantra visualiza o Brahman definitivo como Param Shiva, manifesto através da união de Shiva (a força ativa, masculina, de Shiva) e Shakti (a força passiva, feminina, de sua esposa, conhecida também como Kali, Durga, Parvati e outras).


Agradecimento à Jamísia, minha fonte inesgotável de inspiração. 
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Meu pequeno e suficiente círculo social de hoje

No final de 2010, percebi que teria de fazer drásticas mudanças para conseguir aceitar o desafio que me fiz em ser uma pessoa melhor para mim, para outrém e para a vida e toda a existência, deixando fluir o que faz parte da minha natureza ao invés de viver constantemente com um personagem de acordo com a situação e as pessoas envolvidas, agradar todo mundo sem distinção e fazê-lo ainda que contra a minha vontade.
Isso exigiu uma poda em meu círculo social: ao invés de manter contato com umas 50 pessoas todos os dias, desligar-me de quem não vale a pena ter próximo de mim como parte da minha vida e reconhecer os que me fariam bem aceitando-me do jeito que eu sou sem que eu precisasse atuar mais como a pessoa adequada à qualquer situação.
Hoje depois de dois anos consegui mudar muita coisa para melhor -- eu acho. Meu celular deixou de receber insistentes ligações com convites para sair todos os dias. Só ando tendo contato frequente com dois amigos -- que sempre estão do meu lado e me ajudam quando preciso -- e os outros amigos que mantive apesar de não tê-los por perto sempre, conheçam-me o suficiente para saber que, longe ou perto, são pessoas que considero como amigos em qualquer circunstância, e que se for necessário voltar do Acre a pé até São Paulo se eles precisarem de mim, eu sempre estarei à disposição para fazê-lo.
Hoje tive duas grandes conquistas nesse sentido.
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Do Amor ao Fundo do Poço

Mais de um médico e psicólogo me disseram que tenho uma característica perigosa: baixa tolerância a frustrações. É fato: não sei lidar com o que me frustra, isso sempre me parece o fim do mundo. Um grande avanço que tive nesse sentido foi conseguir perceber que esses sentimentos não são pensamentos sãos, são insanos, e que não devo me entregar a eles. Mas é difícil.

Conheci uma mulher que nunca tinha visto igual na minha vida: foi a primeira que me despertou o sentimento de que poderia viver a vida toda com ela. Minha paixão por ela começou intelectualmente -- isso também foi raro, só tinha experimentado uma única vez na vida, mas isso não quer dizer que ela não fosse linda diante dos padrões sociais e dos que me agradam: é linda. Com o tempo fomos descobrindo que tínhamos afinidade em tudo, na cama, nas idéias, no diálogo... Foi realmente um sentimento único e maravilhoso que tive pela primeira vez na vida -- e nisso digo que estou escrevendo isso mais para lembrar-me no futuro que isso existiu que para compartilhar com outrém. Mas quando resolvi reativar meu blog pessoal minha intenção era essa: voltar a escrever desabafos que não faço para ninguém, sem me preocupar com história, idéias, inspirações, e sobretudo escrevendo mais para mim mesmo. Que eu me lembre, portanto, até a eternidade: o amor existe sim e vale a pena viver com ele sendo uma das coisas mais importantes da vida.

Mas o relacionamento acabou, e como foi um dos mais intensos da minha vida e me trouxe tantos pensamentos novos, é o que mais estou refletindo a respeito. É óbvio que nesse momento meus pensamentos estão completamente tomados por ela, pela convicção que eu tinha de que ela seria minha mulher. Mas fica cada vez mais claro para mim que, tanto quanto eu tenho culpa pelos erros que cometi, há uma parcela fundamental que é de inteira responsabilidade dela: sua vontade de viver comigo não era igual à minha. Penso nisso porque se eu tivesse passado pela mesma situação que ela passou -- procurar uma ex minha para saber o que tinha dado errado e acreditar nela mais que em mim, que demonstrava por ela meu amor não por palavras, mas por atos -- isso ainda não seria motivo de um término, percebendo o quanto esse relacionamento era incomum e importante: eu recorreria a um diálogo para resolver as coisas, ouviria ambas as partes e não só a mais conveniente, seria mais aberto e tentaria com todas as minhas forças superar isso. Mas não, isso ela não quis, e aí é que evidencia-se nossa disparidade: eu realmente queria viver com ela tudo, mas ela não. É isso que tenho que entender para seguir em frente, nossos sentimentos não eram mútuos como pareciam ser.

Em alguns momentos eu penso em morrer, mas já disse a sábia Meire, "você não tem vontade de morrer, mas de matar essa situação". É verdade. A vida é muito mais que isso, então agora mais do que nunca tenho que empregar-me a ela. Esses pensamentos de morte só aparecem por conta da depressão e da baixa tolerância a frustrações, não são pensamentos sãos. Não acredito que vá encontrar alguém igual à ela, que me completava em tudo. Estou aqui mais uma vez solteiro e quando superar tudo isso, não vou procurar nada mais que um relacionamento medíocre como todos os outros: achar alguém igual a ela será impossível. Mas tenho que aprender a me contentar e aceitar o medíocre. O mundo é medíocre, as pessoas vivem felizes em suas mediocridades. Eu, mesmo que incomodado, vou submeter-me a isso.

A síntese de tudo isso é: da plenitude que ela me trouxe, volto à mediocridade, o "nada mais que o necessário" para viver. Felicidade? Só nos poucos momentos em que ela vier, e não como era quando estava com ela e tudo parecia perfeito. Isso tudo foi como uma amostra grátis, um tapa na cara de um cético com relação ao amor, mas foi só isso -- uma amostra, algo que me levou a pensar diferente. Legal, estava errado quanto a isso, mas ainda assim duvido muito que terei outra amostra dessas de novo, quiçá que me leve a planejar uma vida a dois.

Lendo esses lamentos o leitor pode indicar-me o otimismo, são 7 bilhões de pessoas no mundo, e existe alguém que vai aparecer e te fazer bem. Bem, sempre me relacionei com uma variedade e quantidade muito grande de pessoas então sei reconhecer a raridade. Quando digo que vai ser impossível encontrar alguém como ela, falo com plena convicção. Afinal, agora a vida volta a ser o medíocre.

Perguntei com clareza a ela hoje: "você quer que eu suma"? Sou especialista nisso afinal, sair da vida das pessoas sem deixar rastros. Ela aceitou, não sei se ciente de todas as implicações disso, de que sumiço é uma decisão definitiva para mim. Mas à partir de agora paro de lutar, vou seguir minha vida mesmo sabendo que estou jogando a minha maior chance de felicidade plena no lixo -- aliás, eu não, ela. Mas se ela não enxerga assim, é porque provavelmente nunca tinha enxergado mesmo. Se ela não quer lutar é porque não sentiu o mesmo que eu. Então realmente lutar -- eu lutar -- não vale a pena.

Você pode ter 500 decepções, mas isso nunca vai mudar o fato de que elas sempre vão doer. Me dói muito tudo isso agora... Mas com as poucas forças que me restam, vou seguir em frente.
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Ser pai: A Descoberta do Verdadeiro Amor

Ontem, sentado numa mesa aqui no Filial, na Vila Madalena, acompanhei uma discussão acerca de amor e relacionamentos. Incrível ver que, apesar de algumas superficiais diferenças de opinião, é quase senso comum de que o amor implica em um relacionamento -- no geral, monogâmico, que implica dentre outras coisas, fidelidade (com os mais diversos conceitos nesse sentido -- ontem, discutiu-se que quando há amor, não há desejo por outras pessoas, outro que há desejo, mas não há a consumação, ou até mesmo há atração, mas não há desejo). Em primeiro lugar, ontem, defendi a tese de que isso era deveras superficial, ou até mesmo, uma subestimação ao amor. No meu conceito, "amor" é algo que se cria à partir de um relacionamento bem resolvido e maduro, com afinidades e objetivos comuns -- inclusive, a ânsia pelo triunfo do próprio relacionamento, e não uma paixão avassaladora que pode ou não levar a um relacionamento e, sobretudo, acaba com a atração por outras pessoas.
Hoje, caminhando pela Cardeal rumo a Fradique Coutinho, lembrei-me todavia de um amor que conheci recentemente, para ser mais exato, há pouco menos de 2 anos e meio, que me parece ser o amor mais verdadeiro e isento de qualquer condicional, que nasce de forma abrupta e não desaparece de forma alguma. Falo do amor que passei a experimentar quando veio ao mundo a Rafaela, minha filha.
Os gregos costumavam falar em três tipos de amor: Eros, Philos e Ágape. O primeiro refere-se ao amor dentre dois parceiros, ligado ao prazer da concupiscência e à possibilidade disso tornar-se transcendental. Philos, é o amor relativo à amizade, algo que surge quando a companhia "per se" de uma pessoa te faz sentir bem, e faz desejar que essa pessoa esteja sempre presente na sua vida. E Ágape é o amor sem nenhuma condição, que satisfaz nossos corações pela simples existência de algo, seja nós mesmos, o mundo, um fenômeno da natureza ou uma pessoa. É um amor que leva a um sentimento de ananda (do sânscrito, bem-aventurança, plena satisfação), sem nenhum obstáculo, condicionantes ou duração temporal. É o amor que não é o de Vinícius, que não é imortal, "posto que é chama", mas que é infinito "enquanto dure". Este não dura. Esse existe ad eternum.
Impossível conhecer esse amor quando não se tem uma filha. É mais intenso do que o amor que se tem por uma mãe ou por um pai, que parece um amor de Philos, também na maior parte das vezes incondicional, mas que pode enfrentar obstáculos. Ser pai (ou mãe) é a porta para experimentar o amor verdadeiro, que dura para sempre -- até que a morte nos separe. Óbvio que para perceber esse amor -- não que ele não exista, mas há uma diferença entre sentir e perceber esse sentimento -- é necessário um nível de maturidade e despojamento de todos os outros conceitos pré-moldados sobre isso. A necessidade de criar ou não o filho é uma das coisas que pode tornar as pessoas envolvidas mais próximas, mas a distância não impede que esse amor exista. Notei que quando esse amor é percebido, torna-se impossível não sentir a saudade, o que não é verdade quando ainda não se notou a existência desse amor latente no próprio coração.
Todas as obrigações inerentes à função de pai, impostas pela sociedade, não são uma condicionante para o amor. São opções, que podem ou não ser exercidas. Com o sim ou com o não, o coração está tomado por amor. Externando ou mantendo trancado esse sentimento, ele ainda está lá. Basta cavar e ele brota rumo ao sol. Depois de nascido, nada mata, nada arranca, nada esconde. A não ser a própria incapacidade de lidar com os próprios sentimentos.
A própria existência de uma pessoa, nesse caso, é algo que satisfaz. Uma lembrança, um sorriso, um pensamento de que ela está lá, em algum lugar, mesmo que não esteja aqui -- não por falta de vontade minha, mas por egoísmo daqueles que relacionam esse amor à posse, que eu tolero pela serenidade que esse amor me trás e a crença de que esse amor possa mudar não só a mim, mas aos outros que também amam, os momentos que tornam-se uma eternidade, longos mesmo quando são breves, a vontade de me tornar uma pessoa melhor para que alguém possa acompanhar esses passos, mesmo que de longe, mesmo que não queira seguí-los -- afinal, "faça o que eu digo mas não o que eu faço" é a coisa mais hipócrita já inventada para justificar as próprias cagadas daqueles que deveriam educar com exemplos, e não com palavras, são coisas que só um amor verdadeiro, por si mesmo ou outrém, por outrém que se faz parte de si, não como posse, mas como sua continuidade, pode provocar em uma pessoa.
Quanto aos outros amores? Torno a Vinícius: seja atento a ele. Com zelo, que mesmo em face do maior encanto, dele se encante mais seu pensamento. Viva cada vão momento. Em seu louvor, cante, ria, derrame seu pranto, no pesar ou no contentamento. Mas que ele não seja imortal: ele é chama. Seja é infinito enquanto dure.
E, depois... Comece de novo. É sempre tempo de recomeçar.
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Beleza Rara ou Estética?

Ponho-me a meditar em uma beleza sem igual que às vezes enxergo no meu dia-a-dia. De vez em quando vejo num por do sol, certas vezes num lusque-fusque (caiu esse hifem também?) visto através da janela do metrô entre as estações Santana e Armênia, mas quando menos espero, vejo que estou contemplando a
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Momento entre a paixão e a loucura

Passei por experiências peculiares nos últimos meses. Me apaixonei, desapaixonei e apaixonei de novo pela mesma pessoa, com mais intensidade. Dentre os momentos de paixão, flertava tanto com a loucura que quase estabeleci com ela um relacionamento mais firme que o que eu tenho atualmente com minha (pseudo) namorada.
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O caminho contrário da inocência

"A vida corresponde a um processo continuo e sucessivo de rituais de passagem"
(in: Os rituais de passagem segundo adolescentes)

Demorei algum tempo para perder a minha virgindade. Se encarar essa frase da forma convencionada em nossa sociedade e me conhecer um pouco enquanto indivíduo, talvez pareça meio estranho ver essas
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Aquele que vem de Roma

Escutando essa música, sou tomado por um romantismo desmotivado e desprovido de recordações. Me falta o objeto do romantismo, mas que ele existe dentro de mim, existe. Mesmo que poucas acreditem =). Hehehehe

 
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