Mas em todas essas práticas de sannyas -- renúncia em sânscrito, ou sacrifício, há de se ter uma coisa em mente: a renúncia só é verdadeira quando é motivada por uma opção, e não pela falta dela. Quanto ao jejum, se eu estivesse fazendo por necessidade e não por opção, isso não seria uma renúncia real. Faço um paralelo com isso com uma discussão que sempre tive com minha última namorada: ao passo que ela acreditava que a bondade é inata ao ser humano, eu dizia que a verdadeira bondade é a do homem que conhece o mal, pode praticá-lo e ainda assim, optou pelo bom -- pelo justo.'., acho que seria uma palavra mais correta. Ou seja, tudo o que é verdadeiro em um indivíduo, ao meu ver, não é aquilo que se manifesta sem que a parte contrária também se manifeste, mas é a opção que ele toma quando apresentadas essas duas (ou várias) opções. Não posso deixar de frisar que isso é só um exemplo, já que não acredito na dualidade entre bem e mal: creio é no justo.'..
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Opção: a fonte da verdade no homem
Há muito tempo atrás, tinha a prática de fazer jejum uma vez por semana, por motivos religiosos/filosóficos. Era uma provação pela qual passava e passava bem, à meia noite em ponto do dia seguinte eu comia de forma saudável, sem me empanturrar.
Mas em todas essas práticas de sannyas -- renúncia em sânscrito, ou sacrifício, há de se ter uma coisa em mente: a renúncia só é verdadeira quando é motivada por uma opção, e não pela falta dela. Quanto ao jejum, se eu estivesse fazendo por necessidade e não por opção, isso não seria uma renúncia real. Faço um paralelo com isso com uma discussão que sempre tive com minha última namorada: ao passo que ela acreditava que a bondade é inata ao ser humano, eu dizia que a verdadeira bondade é a do homem que conhece o mal, pode praticá-lo e ainda assim, optou pelo bom -- pelo justo.'., acho que seria uma palavra mais correta. Ou seja, tudo o que é verdadeiro em um indivíduo, ao meu ver, não é aquilo que se manifesta sem que a parte contrária também se manifeste, mas é a opção que ele toma quando apresentadas essas duas (ou várias) opções. Não posso deixar de frisar que isso é só um exemplo, já que não acredito na dualidade entre bem e mal: creio é no justo.'..
Mas em todas essas práticas de sannyas -- renúncia em sânscrito, ou sacrifício, há de se ter uma coisa em mente: a renúncia só é verdadeira quando é motivada por uma opção, e não pela falta dela. Quanto ao jejum, se eu estivesse fazendo por necessidade e não por opção, isso não seria uma renúncia real. Faço um paralelo com isso com uma discussão que sempre tive com minha última namorada: ao passo que ela acreditava que a bondade é inata ao ser humano, eu dizia que a verdadeira bondade é a do homem que conhece o mal, pode praticá-lo e ainda assim, optou pelo bom -- pelo justo.'., acho que seria uma palavra mais correta. Ou seja, tudo o que é verdadeiro em um indivíduo, ao meu ver, não é aquilo que se manifesta sem que a parte contrária também se manifeste, mas é a opção que ele toma quando apresentadas essas duas (ou várias) opções. Não posso deixar de frisar que isso é só um exemplo, já que não acredito na dualidade entre bem e mal: creio é no justo.'..
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O Itinerário de Matraga e o Hindu
Realmente não estou muito inspirado para fazer uma outra análise do itinerário de Matraga: passei o final de semana inteiro fazendo #essaporra para a faculdade. Faço um comentário breve, pois, que não posso fazer no meio acadêmico, mas que notei enquanto escrevia o dito texto durante o final de semana.
Busquei inspirações mais literárias para escrever um bom post sobre meu atual estado de espírito. Lembro-me de ter algo que falava sobre ele no Tao Te Ching, e uma referência parecida também em algum Upanishad. Todavia, desprovido dos dois textos nas minhas versões preferidas -- aquelas que posso tatear e guardar na estante, penso em rascunhar algumas linhas sobre um processo estranho que anda se passando comigo nos últimos dias.Voltei à pratica do Hatha Yoga quase que diariamente, e quase que no automático cortei a carne de novo da minha alimentação. Depois de ter quebrado 10 anos de vegetarianismo, não é tão difícil voltar a não comer carne.

Inevitavelmente, caí no Raja Yoga, o Yoga Real, onde não só a comunhão do corpo com a mente são importantes mas também a plena consciência de todos os processos envolvidos tanto nos ásanas (as posturas), como no pranayama (exercícios respiratórios), quanto nas reações que passamos a ter diante dos processos da vida e do mundo (djnana).
Realizamos um ásana inspirado no movimento da gaivota, há duas semanas, e ele não me sai da cabeça. É uma postura que requer força, leveza e equilíbrio. Três potências extremamente conflitantes entre si, mas que perfeitamente casadas, elevam o praticante a um patamar deveras interessante. Todavia, é claro que eu não consegui conciliá-las bem -- quem dera eu já estivesse nesse estado, então continuo com o ásana na cabeça ou praticando a postura para conseguir entender onde é que está o desequilíbrio.
Ainda não consegui fazer a postura com perfeição, mas enquanto tento, me sinto mais disposto a usar a brisa marítima a meu favor para voar mais longe. Só que a brisa tem seu próprio curso, e se eu não me mantiver no vazio descrito pelo Tao, não vou conseguir acompanhá-la. Por sorte o milenar Livro das Mutações chinês, raíz e produto (atualmente) dos pensamentos de Lao Tse e de Confúcio, lança uma pista interessante sobre isso:
"O vento produz efeitos graduais e imperceptíveis. Não se deve, portanto, proceder de modo violento e sim através de uma influência constante. Efeitos dessa ordem chamam menos a atenção que aqueles que se podem conseguir com um ataque de surpresa, porém são mais duradouros e completos"
Persevero, portanto, neste ásana. Posso não estar ainda no vazio, e certamente, estou muito longe do samadhi. Mas a perseverança sinaliza que continuo caminhando... Afinal, uma das traduções para a palavra Tao não é "caminho"?
Vivemos em uma época interessante. Hoje, apresentados os fatos e pensando em tendências tiradas de fatos históricos (recentes ou não), fazemos análises. Outrora, faziam-se profecias. Profetas ou analistas, vira e mexe encontro textos datados de 2, 4, 8, 100, 800 ou 1000 anos atrás que parecem terem sido escritos hoje, levando em conta ou os fatos políticos que nos cercam, minha própria vida pessoal ou ainda a de outrém.Corro o risco de repetir o que disse há pouco em alguns posts, mas preferindo citar outro autor,"mesmo que alguém afirmasse de algo: Olha, isto é novo! eis que já sucedeu em outros tempos muito antes de nós", ou ainda, dizer que há tempos, nada de novo se faz debaixo do sol. Para alguns dos leitores de Coélet no Eclesiastes, isso é profecia. Enfadonho ou não, é real, nada de novo sucede aquilo que nos antecedeu.
Mesmo no campo das paixões, de pathos, onde o ser humano parece às vezes provar que não é uma máquina lógica e matemática, às vezes me pego preso às mesmas elocubrações em que há anos estava. Minha memória pode ser falha, mas para isso servem os escritos. Lembrei-me ontem, por exemplo, de quando fui à casa dos Orixás e de lá escrevi (ou "des"crevi) aqui meu estado de espírito. Se tivesse escrito hoje, seria o mesmo. E nada de novo teria se passado embaixo do sol.
Os indianos chamariam isso de samsara, círculo. Falta-me conhecimento para dizer como os (filósofos?) ocidentais chegados à metafísica abordaram este problema, temendo eu que não tenham abordado, sem partir para a interpretação materialista. No oriente, existem diversas obras (?) dedicadas ao tema.
Tenho feito um experimento interessante nos últimos tempos e tentado me manter impassível diante de todas essas situações. Dosando paixão, mantendo a capacidade de análise e alerta todo o tempo. Estar impassível dentro de uma guerra, neste estado de espírito, significaria empunhar uma arma e lutar, e não sentar em cima da montanha e olhar os exércitos degladiarem-se. Significa identificar o curso do rio, seguí-lo, mas com conhecimento prévio de onde estarão as pedras ou as quedas d'água.

Na prática, procuro manter-me informado previamente sobre quaisquer armadilhas jurídicas conhecendo a jurisprudência -- afinal, não vivemos no mundo das idéias, vivemos no país da justiça que solta Daniel Dantas e queima o Protógenes --, já sei em quem vou votar e não acompanho as pesquisas, leio no jornal as coisas que me interessam -- a conjuntura internacional, economia, de vez em quando o caderno de cidades, e quando me sinto velho demais dou uma espiada no blog do Gravataí Merengue, que me dá esperança de que, quem sabe, as notícias do jornal de depois de amanhã podem ser diferentes -- logo que fecho a janela, a esperança se vai.
Enfim, mudam as pessoas, as construções, as tecnologias e continentes, mas continua fácil profetizar o futuro. Vai ser igual à hoje, continua igual a ontem. Se não existem três tempos (ontem, hoje e o "futuro"), então resta-me fazer no presente, conforme a profecia:
"E, que o homem coma e beba, desfrutando do produto de todo o seu trabalho"
Comer, beber, trabalhar, lutar, principalmente para manter-se impassível. E todo o resto? É vaidade, e correr atrás do vento.
fonte: Eclesiastes (Bíblia de Jerusalém, Bíblia TEB)
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