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Shakti

O beijo é só fluído,
Com amor, é transcendente.
O sexo é só físico,

Com amor é tântrico.
O corpo é só carne,
Com amor, é templo.
A vida é só dia a dia,
Com amor, é sagrada.
A inspiração é só um impulso,
Com amor, é criação.
O amor é só chama,
Com você, é amor.

(Até aqui em 04/02/2010)

Mas Kali, rainha do tempo, 
dançou sobre mim,
E o tempo mostrou que ainda isso era maya.
Despido de véus, 
O beijo era só fluído,
O sexo era só carne,
O amor era só palavra.
O nirvana, quando muito, foi satori.
E daquilo, tudo aquilo, que com ela parecia transcendente,
Só o corpo, o singular, era templo.
Como Kali, com o tempo me mostrou,
O que parecia além, era maya, 
E o que, não era maya, era eu.




Definição de "Shakti" pelo google: Shákti significa o poder de um deus, na religião e mitologia indianos. Significa também sua esposa. Assim, Párvati é a shákti de Shiva, Lákshmi a de Vishnu e Sarasvati a de Brahma.completado pela Wikipedia: O sistema indiano de divindades se refere à Shakti como a manifestação da energia. Shakti, a deusa mãe, também conhecida como ambaa (mãe), ou devi (deusa). É considerada a personificação da energia cósmica em sua forma dinâmica(...). Acredita-se que Shakti seja a força e a energia nas quais o universo é criado, preservado, destruído e recriado (...).
Definição de "Tantra" pela wikipedia
: A palavra "tantra" é composta por duas raízes acústicas: (...) "tan" significa expansão e "tra" libertação. Tal denominação tem as suas raízes em factores históricos muito sutis, pois esta filosofia comportamental, durante a época medieval, foi severamente reprimida na India Hinduista, fortemente espiritualizada. Esta era a forma como os seguidores desta filosofia a viam. Libertadora, mas mantida em segredo (na escuridão). (...) Baseado quase inteiramente no culto de Shiva e Shakti, o tantra visualiza o Brahman definitivo como Param Shiva, manifesto através da união de Shiva (a força ativa, masculina, de Shiva) e Shakti (a força passiva, feminina, de sua esposa, conhecida também como Kali, Durga, Parvati e outras).


Agradecimento à Jamísia, minha fonte inesgotável de inspiração. 
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O sucesso sob uma perspectiva iluminada

Naquela quarta feira à noite o teatro da livraria Cultura, no Shopping Salvador, estava bem cheio. Era meado do mês de março, nesse ano, período imediatamente pós carnaval na capital baiana. Aconteceria ali uma palestra sobre Budismo, já que nem tudo nessa cidade se refere ao Axé, como aspecto religioso ou ritmo musical; sem, contudo, tirar-lhes o lugar de destaque na cultura, nem, de modo algum, deplorar-lhes a existência.
O palestrante, Jigme Tronge Rinpochê, é um eminente Lama budista. Rinpochê é título só concedido a professores do Dharma, reconhecidos como mestres de grande sabedoria. A palavra Dharma, nesse caso, refere-se ao conjunto de ensinamentos budistas.
É de praxe quando da visita de um Lama a uma cidade, organizar-se como primeiro evento uma palestra aberta, que tem como objetivo apresentar o professor àqueles que ainda não o conhecem, ou oferecer a um curioso público a oportunidade de um contato inicial com um tema, professor e filosofia ainda pouco conhecidos, ou, talvez para alguns, até exóticos.
Alguns rostos bem conhecidos do ambiente budista em Salvador, e uma maioria de interessados que, ao menos a princípio, ficarão pelas bordas de uma ânfora bastante funda, podiam ser vistos na lanchonete da livraria, desde antes de começar a palestra. No dia seguinte àquele, quando o Lama daria ensinamentos mais reservados e profundos, sobre outro tema, só estariam presentes aqueles que já valorizam esse conhecimento a ponto de deixarem suas atividades habituais, num dia de semana normal, para passarem o dia sentados em almofadas e levitando em insights luminosos.
O tema da palestra era bastante atraente: “O Sucesso na Perspectiva Budista”. Nada mais adequado para atrair o grande público dos dias atuais, afinal, quem não quer o sucesso? A palavra “sucesso” tem sido muito utilizada com o sentido de “êxito” ou “acontecimento feliz”. Ela gera associações grandiosas, levando a pensamentos que giram em torno de artistas, fama, dinheiro e objetos luxuosos, seja ou não carnaval. Mas, afinal, o que é o sucesso?
Com a grande habilidade que os Lamas possuem em transitar entre o geral e o específico, em viajar entre a periferia e o centro, entre o diminuto e o amplo, com uma agudeza de discernimento incrível, Jigme Rinpochê nos trouxe de uma palavra que poderia estar ligada apenas a representações materiais, até os questionamentos fundamentais da vida humana.
Ao referir-se ao nosso senso de identidade, e aos julgamentos e críticas que estabelecemos à partir daí para os outros, Rinpochê naturalmente leva-nos à indagação velha conhecida daqueles que se interessam por temas, digamos, mais metafísicos, que é “quem sou eu?”. Essa pergunta, ultimamente quase foi substituída pela afirmativa “penso, logo, existo”, de Descartes, essa nunca descartada por todas as mídias atuais. Conquanto de difícil resposta, a questão “quem sou eu?” permanece válida. Grandes sistemas de meditação e estudos esotéricos já foram construídos sobre essa indagação. Embora Rinpochê não tenha feito essa pergunta, suas palavras nos levaram a constatar que nosso senso de identidade desemboca inevitavelmente nos nossos desejos, no nosso querer, o que nos leva, também inevitavelmente, às experiências de sucesso e fracasso de acordo com a realização ou frustração desses desejos.
Não estou reproduzindo a palestra de Rinpochê, algo impossível, mas tão somente comentando as impressões e pensamentos que se produziram em mim à partir daquela palestra. Seria também desafio incalculável transcrever todas as reflexões feitas em torno do porque obtemos ou não obtemos o que desejamos, e de como o processo de desenvolver a atenção e a consciência pode mudar substancialmente a qualidade dos nossos hábitos e escolhas, o que nos leva a resultados de maior contentamento.
Essa mesma atenção e consciência pode levar-nos a uma mudança profunda no nosso entendimento do que é o sucesso, já que observamos que os objetos e fatos não podem representar sucesso de ‘per si’ , mas dependem do julgamento da nossa mente para tal. Entender como produzimos o sofrimento em nossas vidas e como podemos desenvolver maior contentamento é tarefa para uma vida inteira ou mais.
O passo seguinte, mas não necessariamente separado dos outros, ou em rígida sequência, é perguntarmo-nos o que acontece quando e se conseguirmos desmantelar o nosso julgamento. Não necessariamente abandoná-lo, mas desmantelá-lo. Esse hábito de estabelecermos juízos de valor, muitas vezes rígidos, à partir das aparências, para qualificarmos pessoas e experiências, sem perceber-lhes a natureza essencial. Obter sucesso nesse item, como em todos os outros abordados, requer um diligente trabalho interno do qual só podemos ter uma idéia, como resultado de uma pequena, e muito bem sucedida, palestra sobre o Sucesso.
Na saída da livraria eu ainda refletia sobre as novas acepções que a palavra “sucesso” poderia ter adquirido para quem ouviu o Rinpochê naquela noite.
No dia seguinte Rinpochê proporcionaria, a mim e a tantos quanto estavam no Centro Budista Norbu Ling, um grande momento de vivência no Dharma, que poderíamos chamar de momento de verdadeiro sucesso, se for possível para quem lê supor novos significados para essa palavra.



Autor convidado:

Ana Liese Leal mora em Salvador e é terapeuta familiar sistêmica, além de praticante budista.
Leia mais sobre a autora...
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O dinheiro de Deus e a religião dos trízimos


O cajado do Moisés bíblico nunca foi tão caro, segundo palavras do próprio bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). No video que disponibilizamos abaixo, antigo mas surpreendentemente atual, ele menciona: "Moisés bateu com seu cajado em uma pedra e dela saiu água.. por acaso!?!.. pergunte ao povo quem é que gostaria de ter o cajado de Moisés... pois você tem! Agora é só você usar o seu cajado, agora traz 10 mil aqui".

Quem pensa em adquirir sua casa própria poupando ou financiando, precisa repensar seus conceitos. Pelo menos é o que afirma na sequência do video o pastor Silas Malafaia da Igreja Assembléia Vitória em Cristo, que sugere um pomposo dízimo:  ".. Num envelope especial você vai oferecer um aluguel seu, você paga aluguel? Pega esse aluguel de Abril a Dezembro, divide ele, por exemplo... eu pago R$ 500,00 de aluguel.. eu vou oferecer uma semente de um aluguel para que o Senhor possa abrir a porta para que eu possa ter a casa própria..." O absurdo continua de forma descarada quando o mesmo pastor sugere para aquele que mora de favor, desempregado, a contribuir com 30% do que tem.

Já pela Igreja Mundial do Poder de Deus, o apóstolo (?!) Valdemiro Santiago pede em Dezembro aos fiéis que além da devolução (?) dos 10% de Deus cada um dê mais 20% e diga: "Senhor, de tudo o que eu ganhar 70% é meu e 30% de sua obra". A situação chega a ser ridícula quando faz uma analogia esdrúxula entre a santíssima trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) e os 30%. Com uma música barroca de fundo, ao som de violinos, chega a mencionar que uma vez recebeu a inspiração de Deus "no ar".

Outras igrejas acabam usando da criatividade, como a oferta de pacotes pequenos de plástico com cimento para a benção da casa própria. Há também pós consagrados por reverendos, Em um ritual de exorcismo, um pastor diz que precisa "mandar todos os bixos embora senão não vai caber aqui na frente". Para piorar, além da humilhação da enganação, as pessoas deitadas no chão são chamadas de "fracassadas"; para outra ele torna a dizer "Jesus, tem uma bucha de cabelos no estômago dela, foi feito um trabalho de Vodu, magia negra"

Reparem que nem comentamos sobre a Igreja Católica, pois precisaríamos de um livro para falar de padres bêbados e pedófilos. Imaginem então se fossemos discorrer sobre a Santa Inquisição, os dogmas e as apropriações indevidas pela Santa Sé. Preferível é informar, educar e alertar as pessoas para que não caiam no conto do Vigário religioso. Se você tem a crença em um Deus, seja Jesus , Alá ou Júpiter, procure ler e conhecer toda a obra de seu mestre. Perceberá que existe uma distância muito grande entre o que pregaram e todo esse comércio  inescrupuloso que virou a religião.



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Brainstorm espiritual: a realidade cósmica desconhecida


Dizem que a melhor forma de aprender algo é compartilhar e fazer outras pessoas aprenderem, então em meio a tantas notícias sobre política, terremoto, tsunamis e radiação nuclear, paremos por um instante para refletir sobre porque tudo isso acontece, olhar para o passado tão desconhecido de nosso planeta e concluir no que há além da atmosfera. Este texto é um brainstorm realizado em uma das muitas madrugadas em que não consigo dormir, não por falta de sono, mas por perturbações de pensamentos nada cotidianos.

Nós, terráqueos de forma humanóide, que vivemos neste planeta achando que ele nos pertence, usurpamos e destruímos um patrimônio que nunca foi e nunca será nosso. Em nome de um Deus que supostamente nos criou aqui, vivemos livremente sem restrições ou obrigações para com a meio ambiente que nos foi emprestado. O ser chamado humano é uma anormalidade na face deste planeta, George Carlin explicou isso de uma forma muito simples e cômica neste vídeo, a origem de nosso código genético remonta a outros códigos modificados, parte com animais desse planeta, parte com seres desconhecidos, os chamados deuses que em algum momento viveram nesta mesma Terra.

Mas isso é teoria básica, partindo do princípio que todos estão numa série mais avançada deixemos a aritmética de lado e vamos para a Álgebra. Pelos parâmetros da ciência atual, tudo o que estou falando não existe, mas com um pouco de lógica e raciocínio empíricos você consegue chegar a essas conclusões facilmente.

Chamamos dimensão a tudo que nossos sentidos não conseguem captar, por exemplo as ondas de rádio, antes da invenção do rádio elas não existiam? Claro que sim, não enxergamos, ouvimos ou sentimos com nosso corpo, mas você sabe que ela está lá, pois você olha para seu celular e vê as barrinhas de sinal cheia indicando que elas existem.

Os seres humanos possuem 2 estados de vida individual, uma chamada de encarnada, considerada por mim uma das mais densas desse universo (outros universos você conhece com a teoria das super cordas), e outra chamada desencarnado, que se assemelha mais a outras formas de vida em outros planetas.

Estes 2 padrões dizem respeito ao estado do que chamamos de dimensão, quando saímos do padrão que conhecemos como matéria (ao morrermos), continuamos conscientes de nossa consciência dessa e de outras matérias que fizemos parte (vidas), concluímos então que o espírito pode ser chamado de matéria, porém em outra dimensão que não difere muito dessa, ela também tem um espaço físico no planeta, tem limitações impostas por leis, e é precedido e subseqüente de muitas outras dimensões, cada uma com suas próprias leis de acordo com a “freqüência física” de cada uma.

As dimensões que estão além, não possuem uma forma física tão concreta quanto a nossa, e possuem meios de se comunicarem com freqüências inferiores e superiores e até perceberem a presença no mesmo espaço em que duas estão, isso torna a nossa encarnação atual um veículo completamente isolado do resto do universo, pois pelas limitações impostas pela nossa dimensão não podemos nos comunicar com tanta precisão e proveito com nossas formas desencarnadas, e muito menos com formas em espaços muito distantes, como em outros planetas.

Neste ponto estamos nos perguntando, qual o sentido de tudo isso? Percebemos que nosso estado encarnado, que possui duração média de 80 anos, é só um de muitos que já vieram e serão em outras encarnações, e seu estado espiritual é algo mais concreto e duradouro do que sua própria vida.

A realidade cósmica não pode ser entendida por números ou expressa em um papel, sua totalidade não cabe na nossa consciência, só nos resta tentar estender ao máximo o conhecimento das dimensões que são mais próximas a nossa.

Vale a pena assistir o vídeo para compreender:



Bibliografia e sugestão de leitura:

  • Robson Pinheiro
  • Crepúsculo dos Deuses
  • Editora Casa dos Espíritos
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O perigo do fundamentalismo religioso no Brasil


Em um momento onde urge a discussão sobre a possibilidade do vácuo dos governos derrubados no Oriente Médio ser preenchido por uma ditadura religiosa fundamentalista, tal qual foi no Afeganistão e Paquistão, desvio um pouco esse debate para a possibilidade e consequências do fundamentalismo religioso no Brasil, baseado na ascenção e infiltração na política dos neoprotestantes, vulgo
evangélicos em suas várias denominações, bem como o controle de diversos meios de comunicação e empresas por parte das igrejas evangélicas. Para iniciar, é de suma importância conceituar o fundamentalismo:

Movimento religioso e conservador, nascido entre os protestantes dos E.U.A. no início do século, que enfatiza a interpretação literal da Bíblia como fundamental à vida e à doutrina cristãs [Embora militante, não se trata de movimento unificado, e acaba denominando diferentes tendências protestantes do sXX.] (Houaiss)

Vê-se que o termo está associado à interpretação literal da Bíblia, no início do século XX. Quando, por livre extensão de sentido, associamos este termo a política e à ditadura, estamos falando de autoritarismo:
Em sentido generalíssimo, fala-se de regimes autoritários quando se quer designar toda a classe de regimes antidemocráticos. [...] A oposição política é suprimida ou obstruída [bem como o pluralismo partidário. [...] (Norberto Bobbio, Nicola Matteuci e Gianfranco Pasquino - Dicionário de Política)

No Islã, dois movimentos políticos disputam a forma de governo e a moral que deve ser seguida: os sunitas (que seguem a "Suna", livro que define questões não muito claras no Corão), que reconhecem um líder religioso eleito pela população e representam 80% da comunidade islâmica do mundo, e os xiitas, que seguem à risca o Corão e defendem que o líder político e religioso deve ser descendente direto de Maomé. É importante lembrar que o islamismo é a religião que mais cresce no mundo.
Ao mesmo tempo, no Brasil, estima-se que as correntes neoprotestantes (que inclui os neopentecostais, ambos chamados de evangélicos) são as que mais arrebatam fiéis anualmente. Num país com quase 200 milhões de habitantes, diz-se que 2 milhões de pessoas são convertidas à essa fé ano a cada ano. Proporcionalmente, podemos dizer que o neoprotestantismo está para o Brasil tal o Islamismo está para o mundo. Discuto, portanto, as semelhanças entre o fundamentalismo religioso no Brasil e no Oriente Médio, mesmo que esteja falando de religiões diferentes.
Interessante ler o artigo do Cristiano postado nesse blog, O Fim do Mundo Já Começou, para ter alguns exemplos da propagação do fundamentalismo neoprotestante pelo mundo. No Brasil, podemos dar o exemplo da Folha Universal, "Um Jornal a serviço de Deus" (que Deus?), que fala sobre política e propaga a moral ditada pela igreja de Macedo, bem como a Rede Record, uma das maiores emissoras do Brasil e controlada pela IURD, que recentemente ampliou seu departamento jornalístico e frequentemente omite notícias que vão de encontro com a fé de seus controladores. Além disso, há a compra de extensos horários das televisões de menor porte para divulgar programas evangélicos, e sobretudo, temos

o maior símbolo da influência política neoprotestante no Brasil: a bancada evangélica no Congresso. O poder da manipulação dos líderes religiosos evangélicos é tal, que se um presidente proclama sua fé agnóstica ou o ateísmo (como Fernando Henrique, Lula e Dilma), perde o apoio dos eleitores evangélicos e, sem ele, dificilmente conseguiria se eleger. Dilma, por exemplo, prometeu que não partiriam dela projetos de lei à favor do aborto, do casamento homossexual, e outras que ofendessem os preceitos literais da Bíblia seguidos por essa religião.
À partir disso, podemos dizer sim que podemos temer que um regime autoritário religioso pode (e já está) se estabelecendo no Brasil, mesmo de forma democrática. Também não podemos dizer que o Estado brasileiro é laico, uma vez que já esta seguindo os preceitos defendidos pelos neopentecostais, seja por pressão popular (oriunda da alienação), seja pelos congressistas. A linha que separa esse regime "democrático" influenciado por uma única corrente religiosa do autoritarismo é muito tênue, e pode romper-se a qualquer momento.
Defendo que devemos ir contra a religião? Não. Repito o que sempre digo em outras postagens: concordo com a Constituição no que diz respeito à livre manifestação de pensamento. O pensamento, todavia, é plural, e assim deve ser respeitado, tal qual a liberdade de escolha. Nesse sentido, o Estado brasileiro deveria ser completamente laico. Não acho que os congressistas não devem ter suas próprias religiões: acho que eles deveriam defender a liberdade de crença, como estabelecido pela Constituição à qual estão submetidos. Caso contrário, continuaremos caminhando rumo ao autoritarismo, e em passos largos. É a volta da ditadura, mesmo que não seja militar. Contra isso, sim, devemos lutar.
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O fim do mundo já começou

Um grupo cristão denominado Family Radio anunciou que o mundo acabará este ano, mais precisamente no dia 21 de Maio (http://worldwide.familyradio.org/pt/). A argumentação pautada na lógica dos preceitos divinos é baseada na interpretação literal da bíblia sagrada. O arrebatamento estará em andamento até Outubro, quando os eleitos serão escolhidos. Como não poderia ser diferente, afirmações fantásticas sem quaisquer evidências racionais são feitas. Até mesmo a data do dilúvio, que mencionam ter ocorrido em 4990 a.C., é afirmada como uma verdade absoluta. Todavia, como explicarei no texto, o inicio do arrebatamento na realidade já se iniciou há muito tempo.

Tenho presenciado o crescimento de congregações pentecostais que se pautam na doutrina da prosperidade, uma espécie de chamariz para os desesperados e angustiados. Um senhor pouco distinto, de origem humilde, semi-analfabeto, negro, ex-viciado em drogas, que prega a cura de doenças incuráveis como câncer e AIDS é a maior sensação televisiva no atual fenômeno da conversão das massas. Com um terno impecável, palavras bem dosadas, um certo carisma e evidente inteligência, prega com um chapéu de cowboy todos os dias na tv. Um amigo evangélico uma vez me disse “Ele tem a unção de Deus”. Com mais de quatro milhões de seguidores conseguidos em pouco mais de dez anos de atividade, acaba por demonstrar toda a fragilidade e miséria de um povo que se contenta com qualquer show de calouros da vida real.

Em outra emissora um sujeito simpático e sorridente arranca "caroços" de enfermos e pede aplausos a Jesus. Carismático ao extremo, chega a cativar pela eloquência das palavras e pela oratória na pregação. Afirma com certa frequência que “Deus chamou em seu coração” quando decidiu abandonar o curso de medicina na Rússia para se dedicar aos mais necessitados. Em vez de se ater à ciência do corpo, agora busca suplantar toda a dor dos flagelos sociais através da palavra do Salvador. Certa vez, frequentando a referida igreja, fui interpelado com os demais presentes a contribuir com o ministério. Aquele que doava dinheiro para um saco vermelho que rodava o salão era abençoado pelo pregador. Naturalmente, me senti queimando no inferno pois não tinha um tostão no bolso.

Nas noites de insônia a diversão é garantida. O senhor cowboy não tem boa dicção e o missionário dos aflitos canta muito mal. A única coisa que pode me fazer cair no sono é a pregação do pastor dos relógios de ouro. Ele sim, é um "showman" do besteirol e das coisas mais ilógicas da televisão. É hábil, consegue atrair multidões pela boa oratória mas falha grotescamente no encadeamento lógico dos argumentos. Critica abertamente homossexuais, condena ao inferno quem não tem a prática do dízimo, defende o criacionismo e afirma que ateu não tem vez no reino dos céus. 

A Santa Sé tem sido mais discreta, mas não menos perversa. No ano de 2008 o então presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva (uma espécie de Tiririca do circo da vida), selou um acordo sombrio com o Vaticano. Sem cobertura da mídia, no mais absoluto silêncio democrático, este acordo inconstitucional quebra a laicidade do estado brasileiro ao instituir o ensino religioso, obviamente católico, em todas as escolas da rede pública de ensino. A liberdade de manifestação religiosa que vigora desde 1891 está com os dias contados. É uma guerra religiosa onde o prêmio é a conquista do maior número possível de miseráveis. 

Em países como a França, Suécia e Japão o percentual dos que se declaram como não religiosos é maior que 50%, enquanto que no Brasil este índice é de aproximadamente 2%. A pobreza de um povo subjulgado pelas mazelas sociais é o alimento preferido das religiões. A presença maciça das igrejas se faz presente nos países mais subdesenvolvidos. O arrebatamento ao qual nos referimos portanto já está em andamento: o dízimo dos miseráveis é o preço que se paga para o arrebatamento cada vez mais rápido dos fiéis em direção à cova da ignorância.
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O Itinerário de Matraga e o Hindu

Realmente não estou muito inspirado para fazer uma outra análise do itinerário de Matraga: passei o final de semana inteiro fazendo #essaporra para a faculdade. Faço um comentário breve, pois, que não posso fazer no meio acadêmico, mas que notei enquanto escrevia o dito texto durante o final de semana.
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O Vento e a Gaivota

Busquei inspirações mais literárias para escrever um bom post sobre meu atual estado de espírito. Lembro-me de ter algo que falava sobre ele no Tao Te Ching, e uma referência parecida também em algum Upanishad. Todavia, desprovido dos dois textos nas minhas versões preferidas -- aquelas que posso tatear e guardar na estante, penso em rascunhar algumas linhas sobre um processo estranho que anda se passando comigo nos últimos dias.
Voltei à pratica do Hatha Yoga quase que diariamente, e quase que no automático cortei a carne de novo da minha alimentação. Depois de ter quebrado 10 anos de vegetarianismo, não é tão difícil voltar a não comer carne.
Inevitavelmente, caí no Raja Yoga, o Yoga Real, onde não só a comunhão do corpo com a mente são importantes mas também a plena consciência de todos os processos envolvidos tanto nos ásanas (as posturas), como no pranayama (exercícios respiratórios), quanto nas reações que passamos a ter diante dos processos da vida e do mundo (djnana).
Realizamos um ásana inspirado no movimento da gaivota, há duas semanas, e ele não me sai da cabeça. É uma postura que requer força, leveza e equilíbrio. Três potências extremamente conflitantes entre si, mas que perfeitamente casadas, elevam o praticante a um patamar deveras interessante. Todavia, é claro que eu não consegui conciliá-las bem -- quem dera eu já estivesse nesse estado, então continuo com o ásana na cabeça ou praticando a postura para conseguir entender onde é que está o desequilíbrio.
Ainda não consegui fazer a postura com perfeição, mas enquanto tento, me sinto mais disposto a usar a brisa marítima a meu favor para voar mais longe. Só que a brisa tem seu próprio curso, e se eu não me mantiver no vazio descrito pelo Tao, não vou conseguir acompanhá-la. Por sorte o milenar Livro das Mutações chinês, raíz e produto (atualmente) dos pensamentos de Lao Tse e de Confúcio, lança uma pista interessante sobre isso:

"O vento produz efeitos graduais e imperceptíveis. Não se deve, portanto, proceder de modo violento e sim através de uma influência constante. Efeitos dessa ordem chamam menos a atenção que aqueles que se podem conseguir com um ataque de surpresa, porém são mais duradouros e completos"
Persevero, portanto, neste ásana. Posso não estar ainda no vazio, e certamente, estou muito longe do samadhi. Mas a perseverança sinaliza que continuo caminhando... Afinal, uma das traduções para a palavra Tao não é "caminho"?
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Yaksha

Do sânscrito, यक्ष (em devanagari), yaksha é uma categoria de espiritos da natureza, no geral benevolentes, guardiões de tesouros escondidos na terra e nas raízes das árvores. Eles aparecem na mitologia Hindu, Jainista e Budista.
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om::namah::shivaya

Há algum tempo tatuei no meu braço: "om namah shivaya" -- no devanagari, ॐ नमः शिवाय. Sendo muito simplista, na trindade hindu, Brahma simboliza a criação, Vishnu a permanência e Shiva a transformação, ou destruição. "Om
 
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