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[+18] Pôsteres

[Aviso: Conto com doses de erotismo e linguagem obscena!]


                Ela tinha pôsteres na parede do quarto. Vários. Chegava a me irritar – aliás, não era a única coisa que me irritava nela. Seu jeito de ser me irritava, na cama me tratava como o único homem do Universo – ou o último, fora dela era como se fosse lixo. Ainda assim, atravessava os mais de 600km que separam São Paulo de Florianópolis só para vê-la. Sabia que ela estaria lá, com seu ar seco e soberbo me esperando na rodoviária – porque minha decisão sempre era tomada de última hora, e a pornografia dos preços das passagens dos preços de avião para um dia seguinte superam todas as que fazíamos ou poderíamos fazer na cama.
                Os pôsteres ela dizia que era da época de menina – como se não fosse mais menina do alto de seus 23 anos. Menina esnobe. Saíamos da rodoviária e íamos direto para o seu apartamento, uma república partilhada com mais 3 meninas, mas que de antemão nos certificávamos que não estariam lá, nos trancávamos no quarto e trepávamos como loucos. Quando nos lembrávamos de comer, pedíamos uma pizza. Praia em Florianópolis? Fui duas vezes, desacompanhado. Conheci-a em São Paulo, trepamos uma vez dentro do bar e tive a infelicidade de pegar seu telefone.
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A Aflição de Xavier



Xavier acordou cedo. 6h32 da manhã. Não era costume de Xavier acordar cedo: na verdade, a impressão que teve foi que já era a hora certa de despertar. Não foi. Naquele dia, só deveria acordar às 8h30 para fazer uma ligação e decidir entre dois compromissos: um indispensável. O outro, impulsivo.
Uma transa. Um final de semana. Foi o suficiente para despertar em Xavier um sentimento tão intenso que brotou nele um sentimento de impulsividade e ansiedade que só sentira há anos atrás, e prometeu para si mesmo que nunca mais se deixaria sentir. Calejado pela vida, já um pouco mais maduro que aos seus 25, percebeu que os atos impulsivos levavam-no na maioria das vezes a situações que, a médio prazo, lhe eram prejudiciais -- e aos outros. Uma vez disseram-lhe que, com uma certa casa de seu mapa astral, Júpiter influia sua sorte fazendo-lhe boa na maioria das vezes e que ele deveria jogar na loteria. Jogava, mas no máximo acertava três números. Três números. Se fossem quatro, seria uma quadra, e ganharia o prêmio mínimo. Mas em todos os jogos, até num bingo de igreja, ele nunca ganhou nada. Achou aquele negocio de astrologia balela -- boa sorte o caralho, estava mesmo é fudido.
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Quetiapina

Durante minhas andanças pela cidade, conheci um personagem interessante com o qual eu não gostaria de manter um diálogo no ônibus. Segue um trecho do conto Quetiapina. Para entendê-lo melhor, talvez seja interessante ler isso e isso.


Tomei o último copo de Jhonnie Walker que restara da minha reserva. Há dois meses, depois de me submeter a tratamento psiquiátrico pelos últimos três anos, decidi que buscaria uma saída natural para os problemas que só meu psiquiatra enxergava. Toda noite, antes de dormir, acendia um cigarrinho da erva maldita que provocava em mim o mesmo efeito de um comprimido de Lexotan. Ouvi dizer que cura até câncer -- provavelmente, não aqueles que tomam o pulmão. Me abstendo de maus hábitos durante todo o período que passei por acompanhamento do tal médico da cabeça, resolvi me recompensar comprando uma garrafa de Red Label. Que é um homem se não puder ter um pouco de prazer na vida?
    Resolvi que faria uma boa ação no dia seguinte, logo pela manhã: doaria os psicotrópicos para alguém que estivesse realmente necessitado. Não é todo mundo que pode desembolsar mil e seiscentos reais por mês por sete caixas de quetiapina. Eu mesmo só dispunha dos remédios por ter conseguido que me fossem fornecidos pelo Estado. Mas uma vez que encontrei serenidade em meus próprios meios para a cura, não havia mais necessidade de ter uma verdadeira farmácia no armário da cozinha, já que bastava uma ligação para que me fosse entregue algumas gramas da mais pura erva. Os remédios para loucos deveriam ser dados para os loucos. Não havia porque guardá-los se eles não tivessem o destino de ser enfiados goela abaixo mesmo que fosse para obter efeito placebo.
    Dormi com minha nobre intenção na cabeça, determinado a acordar cedo. A viagem de ônibus do centro até a Cidade Tiradentes seria longa, mas depois de entregues os remédios à clínica que outrora quase me internei, e que continuava atendendo pessoas necessitadas que não encontram tratamento para suas psicopatologias na maioria dos hospitais públicos, tinha a certeza de que sentiria uma sensação de alívio e de missão cumprida. Se sou incapaz de escrever um livro que console estes pobres insanos, pelo menos daria uma contribuição para que eles pudessem conviver novamente nos seus meios sociais até perceberem que doentes de verdade não são eles, nem eu, mas a própria sociedade.

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Hiato

Para quem gosta de ler, enquanto não tenho produzido nada, um conto, inacabado, neste link.
 
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