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Felicidade: Reflexão sobre minhas necessidades supérfulas


Acordei às 7h. Bem. Desde 13/11/2010 sofro de insônia: não sinto sono. Estou recorrendo à psiquiatria (não sou maluco de tomar remédio nessa área sem prescrição, muito embora em um período em que fui considerado 'depressivo' tenha conhecido todos os fármacos nessa área e suas bulas, em um experimento que os médicos conduziram durante seis meses com todos os anti-depressivos possíveis até chegar à conclusão de que eu não sofria de depressão), e também contra os meus princípios (ecoa Ponty e Kant na minha cabeça sempre que recorro à ciência, à qual infelizmente a maioria dos médicos, cientistas e a maioria dos teóricos, até o clero atualmente, estão presos. A ciência encerra-se em si.
Mas não é sobre esse meio e esse tipo de visão de mundo que quero dissertar. Quero refletir, antes mesmo das primeiras impressões sobre o dia, inspirado por uma conversa que tive com uma grande amiga na segunda-feira (ou terça) sobre fases da vida. Apareci com um argumento novo, enquanto tomava um Milk Shake no Toninho's, ao lado do Burdog, que tem um dos melhores Milk-Shakes da cidade.
Ano passado foi um ano do cão. Se existisse um zodíaco de fases da vida, cão seria perfeito para definir certas coisas: vivi a ressaca de todos os anos anteriores (na maioria do tempo, literalmente), o que penso ser a causa desse período reflexivo que estou passando. Vou amadurecer, portanto, o texto da madrugada, que foram praticamente palavras cuspidas a esmo enquanto eu estava com dor de cabeça, cansado e sem a mínima inspiração.
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O sucesso sob uma perspectiva iluminada

Naquela quarta feira à noite o teatro da livraria Cultura, no Shopping Salvador, estava bem cheio. Era meado do mês de março, nesse ano, período imediatamente pós carnaval na capital baiana. Aconteceria ali uma palestra sobre Budismo, já que nem tudo nessa cidade se refere ao Axé, como aspecto religioso ou ritmo musical; sem, contudo, tirar-lhes o lugar de destaque na cultura, nem, de modo algum, deplorar-lhes a existência.
O palestrante, Jigme Tronge Rinpochê, é um eminente Lama budista. Rinpochê é título só concedido a professores do Dharma, reconhecidos como mestres de grande sabedoria. A palavra Dharma, nesse caso, refere-se ao conjunto de ensinamentos budistas.
É de praxe quando da visita de um Lama a uma cidade, organizar-se como primeiro evento uma palestra aberta, que tem como objetivo apresentar o professor àqueles que ainda não o conhecem, ou oferecer a um curioso público a oportunidade de um contato inicial com um tema, professor e filosofia ainda pouco conhecidos, ou, talvez para alguns, até exóticos.
Alguns rostos bem conhecidos do ambiente budista em Salvador, e uma maioria de interessados que, ao menos a princípio, ficarão pelas bordas de uma ânfora bastante funda, podiam ser vistos na lanchonete da livraria, desde antes de começar a palestra. No dia seguinte àquele, quando o Lama daria ensinamentos mais reservados e profundos, sobre outro tema, só estariam presentes aqueles que já valorizam esse conhecimento a ponto de deixarem suas atividades habituais, num dia de semana normal, para passarem o dia sentados em almofadas e levitando em insights luminosos.
O tema da palestra era bastante atraente: “O Sucesso na Perspectiva Budista”. Nada mais adequado para atrair o grande público dos dias atuais, afinal, quem não quer o sucesso? A palavra “sucesso” tem sido muito utilizada com o sentido de “êxito” ou “acontecimento feliz”. Ela gera associações grandiosas, levando a pensamentos que giram em torno de artistas, fama, dinheiro e objetos luxuosos, seja ou não carnaval. Mas, afinal, o que é o sucesso?
Com a grande habilidade que os Lamas possuem em transitar entre o geral e o específico, em viajar entre a periferia e o centro, entre o diminuto e o amplo, com uma agudeza de discernimento incrível, Jigme Rinpochê nos trouxe de uma palavra que poderia estar ligada apenas a representações materiais, até os questionamentos fundamentais da vida humana.
Ao referir-se ao nosso senso de identidade, e aos julgamentos e críticas que estabelecemos à partir daí para os outros, Rinpochê naturalmente leva-nos à indagação velha conhecida daqueles que se interessam por temas, digamos, mais metafísicos, que é “quem sou eu?”. Essa pergunta, ultimamente quase foi substituída pela afirmativa “penso, logo, existo”, de Descartes, essa nunca descartada por todas as mídias atuais. Conquanto de difícil resposta, a questão “quem sou eu?” permanece válida. Grandes sistemas de meditação e estudos esotéricos já foram construídos sobre essa indagação. Embora Rinpochê não tenha feito essa pergunta, suas palavras nos levaram a constatar que nosso senso de identidade desemboca inevitavelmente nos nossos desejos, no nosso querer, o que nos leva, também inevitavelmente, às experiências de sucesso e fracasso de acordo com a realização ou frustração desses desejos.
Não estou reproduzindo a palestra de Rinpochê, algo impossível, mas tão somente comentando as impressões e pensamentos que se produziram em mim à partir daquela palestra. Seria também desafio incalculável transcrever todas as reflexões feitas em torno do porque obtemos ou não obtemos o que desejamos, e de como o processo de desenvolver a atenção e a consciência pode mudar substancialmente a qualidade dos nossos hábitos e escolhas, o que nos leva a resultados de maior contentamento.
Essa mesma atenção e consciência pode levar-nos a uma mudança profunda no nosso entendimento do que é o sucesso, já que observamos que os objetos e fatos não podem representar sucesso de ‘per si’ , mas dependem do julgamento da nossa mente para tal. Entender como produzimos o sofrimento em nossas vidas e como podemos desenvolver maior contentamento é tarefa para uma vida inteira ou mais.
O passo seguinte, mas não necessariamente separado dos outros, ou em rígida sequência, é perguntarmo-nos o que acontece quando e se conseguirmos desmantelar o nosso julgamento. Não necessariamente abandoná-lo, mas desmantelá-lo. Esse hábito de estabelecermos juízos de valor, muitas vezes rígidos, à partir das aparências, para qualificarmos pessoas e experiências, sem perceber-lhes a natureza essencial. Obter sucesso nesse item, como em todos os outros abordados, requer um diligente trabalho interno do qual só podemos ter uma idéia, como resultado de uma pequena, e muito bem sucedida, palestra sobre o Sucesso.
Na saída da livraria eu ainda refletia sobre as novas acepções que a palavra “sucesso” poderia ter adquirido para quem ouviu o Rinpochê naquela noite.
No dia seguinte Rinpochê proporcionaria, a mim e a tantos quanto estavam no Centro Budista Norbu Ling, um grande momento de vivência no Dharma, que poderíamos chamar de momento de verdadeiro sucesso, se for possível para quem lê supor novos significados para essa palavra.



Autor convidado:

Ana Liese Leal mora em Salvador e é terapeuta familiar sistêmica, além de praticante budista.
Leia mais sobre a autora...
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Quem matou o Conde Drácula?


Acusei meu opositor de esconder os segredos de quem comprou as passagens de trem para a Transilvânia. Atordoado, bem vestido, de palitó impecável, gesticulava e me dizia desconhecer o paradeiro de quem adquiriu os bilhetes. A alegoria psicodinâmica "Quem matou o Conde Drácula" foi o marco inicial de uma amizade que perdura até os dias de hoje.

Na primeira semana de trabalho, em treinamento coletivo, a instrutura elegeu juntamente com o conjunto de mais de trinta funcionários os dois líderes que se enfrentariam em uma batalha épica. Quase que instantâneamente fomos escolhidos para participar do teste. O objetivo era descobrir quem matou o drácula. 

A brincadeira era coletiva mas os detalhes da trama precisavam ser negociados. Fui chamado pela instrutura juntamente com Filipe para uma área reservada, com o intuito diplomático de interrogar meu opositor e de descobrir o máximo de informações relevantes para passar a meu grupo. O clima era muito tenso e as negociações duravam às vezes horas.

O empenho era formidável em descobrir quem matou o vampiro. Acreditávamos na liberdade da história, no poder da persuasão e na capacidade de invadir o castelo, tudo apenas no mundo das idéias e dos argumentos. Era uma espécie de RPG sem encenação, um teatro ideológico.

Paradoxalmente, apesar de livres no domínio da oratória e no jogo das idéias, descobrimos recentemente que percorremos o caminho em direção ao cárcere da escuridão. Conde Drácula vivia no isolamento noturno de seu castelo e tinha medo da claridade. Fomos exatamente marionetes do destino, como o vampiro,  presos no tormento das sombras e afastados do campo das luzes, da iluminação.

Enquanto a disputa acontecia, não tínhamos a percepção de que víveríamos tanto tempo em um castelo de trevas e ilusões, domados pelo demônio da privação intelectual e da perseguição moral. Não sabíamos que na verdade entraríamos no beco escuro da ignorância e da solidão.

Mas, apesar de tudo, é na dificuldade que surgem as grandes idéias. Como diria o escritor Augusto Cury, "O pessimista enxerga os raios, enquanto o otimista percebe na chuva a oportunidade única de semear, cultivar". Foi então que percebemos, na amargura da prisão, e no alto da masmorra da desilusão, que mesmo encarcerados poderíamos nos libertar da opressão. 

Fomos seduzidos pela princesa do castelo. A idéia do xaveco foi brilhante. Como o castelo era bem fortificado, pedimos para que a princesa trouxesse nossas capas. Voamos da escuridão da torre em direção à luz das idéias. Aqueles que se sentem isolados, deprimidos e infelizes, devem aprender esta lição: da tempestade de nossas vidas, em vez de focar os raios que nos perturbam, podemos aproveitar a oportunidade para voar sob a chuva e semear no campo da imaginação.  Agora, vestindo nossas capas, o show está prestes a começar!
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Two and a Half Woman



O ator Charlie Sheen do seriado "Two and a Half Man" parece que ficará pouco tempo desempregado. A demissão do programa foi motivada por uma série de problemas pessoais do ator envolvendo o uso de álcool e drogas. Steven Hirsch, dono da produtora de filmes adultos "Vivid Entertainement", convidou Sheen para dirigir um filme erótico intitulado "Two and a Half Woman", de tradução "Duas mulheres e meia".

O título da produção não poderia ser mais realista. Em alusão a música de Martinho da Vila, "Já tive mulheres, De todas as cores, De várias idades, De muitos amores, Com umas até, Certo tempo fiquei, Pra outras apenas , Um pouco me dei", já tivemos muitas mulheres para amar, mas no final das contas parece que sempre desejamos a metade que sobra.

Na adolecência, desejamos colecionar troféus ansiando por ficar com o maior número de mulheres. No início da vida adulta, buscamos todas as aventuras sexuais tendo como motivação a beleza, sem prestar atenção naquilo que mais importa na vida a dois, o companheirismo e o respeito.

Muitos já tiveram duas ou até três mulheres ao mesmo tempo, mas o que falta no fundo é sempre aquela metade que complementa nossas vidas. A mulher que divide e preenche nosso ser de amor e carinho, que compartilha a dor e a alegria, que sempre está presente nos momentos mais difíceis.

É a metade que alimenta a alma, que faz do viver uma constante alegria. Estamos procurando o amor no supérfluo e no banal, na quantidade em vez da qualidade. Um coração amargurado e sincero deseja o companheirismo, uma mente perturbada e abalada deseja o fetichismo.

Uma existência gananciosa e motivada pelo apego material traz a eterna insatisfação do constante querer e, portanto, leva ao sofrimento. Um mundo feliz e sadio é feito somente por pessoas felizes. Uma sociedade que defende e  aplaude o machismo como sendo uma vantagem existencial está fadada ao colapso emocional. Tudo o que devemos desejar do esbanjamento e das mulheres de Sheen é somente aquela metade de mulher que poucos valorizam. Nada mais.
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Brainstorm espiritual: a realidade cósmica desconhecida


Dizem que a melhor forma de aprender algo é compartilhar e fazer outras pessoas aprenderem, então em meio a tantas notícias sobre política, terremoto, tsunamis e radiação nuclear, paremos por um instante para refletir sobre porque tudo isso acontece, olhar para o passado tão desconhecido de nosso planeta e concluir no que há além da atmosfera. Este texto é um brainstorm realizado em uma das muitas madrugadas em que não consigo dormir, não por falta de sono, mas por perturbações de pensamentos nada cotidianos.

Nós, terráqueos de forma humanóide, que vivemos neste planeta achando que ele nos pertence, usurpamos e destruímos um patrimônio que nunca foi e nunca será nosso. Em nome de um Deus que supostamente nos criou aqui, vivemos livremente sem restrições ou obrigações para com a meio ambiente que nos foi emprestado. O ser chamado humano é uma anormalidade na face deste planeta, George Carlin explicou isso de uma forma muito simples e cômica neste vídeo, a origem de nosso código genético remonta a outros códigos modificados, parte com animais desse planeta, parte com seres desconhecidos, os chamados deuses que em algum momento viveram nesta mesma Terra.

Mas isso é teoria básica, partindo do princípio que todos estão numa série mais avançada deixemos a aritmética de lado e vamos para a Álgebra. Pelos parâmetros da ciência atual, tudo o que estou falando não existe, mas com um pouco de lógica e raciocínio empíricos você consegue chegar a essas conclusões facilmente.

Chamamos dimensão a tudo que nossos sentidos não conseguem captar, por exemplo as ondas de rádio, antes da invenção do rádio elas não existiam? Claro que sim, não enxergamos, ouvimos ou sentimos com nosso corpo, mas você sabe que ela está lá, pois você olha para seu celular e vê as barrinhas de sinal cheia indicando que elas existem.

Os seres humanos possuem 2 estados de vida individual, uma chamada de encarnada, considerada por mim uma das mais densas desse universo (outros universos você conhece com a teoria das super cordas), e outra chamada desencarnado, que se assemelha mais a outras formas de vida em outros planetas.

Estes 2 padrões dizem respeito ao estado do que chamamos de dimensão, quando saímos do padrão que conhecemos como matéria (ao morrermos), continuamos conscientes de nossa consciência dessa e de outras matérias que fizemos parte (vidas), concluímos então que o espírito pode ser chamado de matéria, porém em outra dimensão que não difere muito dessa, ela também tem um espaço físico no planeta, tem limitações impostas por leis, e é precedido e subseqüente de muitas outras dimensões, cada uma com suas próprias leis de acordo com a “freqüência física” de cada uma.

As dimensões que estão além, não possuem uma forma física tão concreta quanto a nossa, e possuem meios de se comunicarem com freqüências inferiores e superiores e até perceberem a presença no mesmo espaço em que duas estão, isso torna a nossa encarnação atual um veículo completamente isolado do resto do universo, pois pelas limitações impostas pela nossa dimensão não podemos nos comunicar com tanta precisão e proveito com nossas formas desencarnadas, e muito menos com formas em espaços muito distantes, como em outros planetas.

Neste ponto estamos nos perguntando, qual o sentido de tudo isso? Percebemos que nosso estado encarnado, que possui duração média de 80 anos, é só um de muitos que já vieram e serão em outras encarnações, e seu estado espiritual é algo mais concreto e duradouro do que sua própria vida.

A realidade cósmica não pode ser entendida por números ou expressa em um papel, sua totalidade não cabe na nossa consciência, só nos resta tentar estender ao máximo o conhecimento das dimensões que são mais próximas a nossa.

Vale a pena assistir o vídeo para compreender:



Bibliografia e sugestão de leitura:

  • Robson Pinheiro
  • Crepúsculo dos Deuses
  • Editora Casa dos Espíritos
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Reflexões de um Depressivo

Os médicos falam sobre uma tal "dificuldade de lidar com frustração". Consideram isso uma patologia. Eu penso mais como Merleau Ponty, "a ciência manipula as coisas e renuncia a habitá-las", os seja, patológico porra nenhuma, é natural, fruto de um caráter mal construído e que pode (ou não) ser remediada com porradas da vida -- essa história de que se aprende por amor é pura balela.
O Pensador, Rodin (fonte)
Eu tenho dificuldade em lidar com frustrações. As minhas e as alheias. Não suporto ouvir um não (e é bem verdade, não consigo dizê-lo). Não suporto a mediocridade -- para mim, as coisas precisam ser no mínimo excelentes. Isso se reflete em todas as áreas da minha vida.
As pessoas me consideram muito crítico. Não sou: sou exageradamente auto-crítico. Odeio, é fato, a hipocrisia. Falo o que me vêm à mente e foda-se se quiserem ouvir ou não. Isso inclui dizer palavras como buceta, foda, merda e cu sem nenhum pudor. Se uma mulher é linda e sinto a vontade de dizê-lo, falo. Se não é (ou se não sinto vontade de dizer), calo.
Em algumas coisas sou especialmente bom. Prova é uma delas: já passei na Fuvest, em concursos (vários deles), na Federal que estudo hoje e na empresa que trabalho. Vendo gelo até para esquimó. Vendo a mim mesmo. Sorrio e faço sorrir. Meu prazer maior no sexo é o prazer alheio, e não me satisfaço com menos que isso. Consigo parar enquanto é tempo -- mesmo que às vezes demore. Peço ajuda quando é indispensável, e elimino problemas tal qual os identifico.
Sempre escrevi. Não tolero minha própria mediocridade e nunca achei algo que escrevi bom. Sempre, sempre mesmo, falta algo. Sempre eu poderia ter feito melhor.
Não suporto minha falta de cultura. É lógico que conheço de cabo a rabo a dialética erística de Schopenhauer e posso manipular uma conversa para parecer culto. Não sou. Desconheço muitas coisas e isso me incomoda o tempo todo. Falo espanhol mas queria falar francês. Leio em inglês mas queria ler em chinês. Me decepciono comigo mesmo por não conhecer nenhum daqueles malditos caracteres árabes, mesmo que conheça o devanagari.
Sabe, não sei se o que motivou essa tristeza súbita foi o fato de não ter ido bem nos dois concursos que prestei. Considero um retrocesso, uma disputa comigo mesmo no passado. Emburreci com o passar dos anos. Enquanto atropelava as pessoas, atropelei e negligenciei a mim mesmo. Sorria por fora e fazia sorrir, como já disse. Por dentro tinha um choro contido, imperceptível, que machucava a garganta e agora explodiu. Ainda não para fora.
Continuo sorrindo. A fragilidade não é atraente tampouco bem vista (ou quista). Se sou uma boa companhia é porque engulo a fragilidade. Quem descobriu meu choro contido não está mais ao meu lado. Para quem eu resolvi não mais sorrir, me deixou sozinho. Não, mais que isso, sempre estive sozinho. Mesmo com a cama ocupada, mesmo que cercado por uma multidão.
Isso me cansa. Mata por dentro minha humanidade. Já descontei muito disso em amizades e relacionamentos, magoando os outros quando a verdadeira mágoa estava dentro de mim. Fiz pessoas se sentirem um lixo mas eu próprio era essa lixeira.
É, eu cansei. Prefiro não me relacionar mais que magoar pessoas. Prefiro estar sozinho que mal acompanhado. Prefiro uma conversa sincera a ser um personagem num xaveco. Prefiro ser eu mesmo que o outro. Amanhã tudo vai estar igual. O choro por dentro, o sorriso pra fora. A casca da cebola encobrindo meu núcleo. A cebola fede. Eu já acostumei.
Foda-se. O mundo não quer um fraco e não vou entregar a fraqueza. Duvido que ninguém se identifique com algumas dessas linhas. Mas, como eu, o choro é contido. E assim se constrói a solidão coletiva. Se todos fossem sinceros -- consigo mesmo -- não haveria solidão. Alguns justificam seus atos por suas próprias fraquezas, desses tenho pena. Eu admito que fui canalha e filha da puta (mas minha mãe é uma santa). E eu nunca vou me perdoar por isso.
Passado é passado? É passado. Mas também é pesado. Minha coluna enverga, meus ombros doem. Falta de desapego? Não. Falta de perdão. Quem não se sente só que atire a primeira pedra. Não só pelos outros, mas só de si mesmo. Quem nunca magoou, mentiu, matou outro por dentro? Quem nunca chorou?
E não, não me lamento da vida. Ela é muito boa. Tenho a sorte de conhecer ou ter conhecido (Geraldo, que Deus o tenha, mesmo que você me mandasse tomar no cu por dizer isso) pessoas maravilhosas. Muitas delas me ensinam -- e me dão a esperança -- de que eu seja uma pessoa melhor um dia. Não sei se vou conseguir. Mas com certeza, vou tentar.
Se não por mim, pelo amor da minha vida: Rafaela. Seu sorriso é sincero por dentro e por fora. Desejo mesmo que fosse assim para sempre, mas isso é impossível nessa sociedade hipócrita. Mas para isso eu existo: para fazê-la sorrir. E ela é a única que me faz sorrir por dentro. Pela primeira vez o amor faz sentido, e eu que pensava que ele não existisse. Existe e eu sinto, e toco, e respiro, e engulo. Se tenho uma razão para suportar tudo isso é a Rafaela. Então, vou me adaptar -- ou continuar adaptado. Vou manter o sorriso na cara e seguir em frente. Ninguém precisa saber o que se passa na minha cabeça (mesmo assim, eu digo). Mas que quero dar o melhor de mim, ah, quero.

Amém mestre. Amém.
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Apresentação


Não poderia existir frase melhor para começar as postagens do que essa twittada pelo PC Siqueira (se é que a frase é realmente dele), expor as suas idéias para o mundo muitas vezes é difícil para nós mesmos, não importa onde uma pessoa viva, pode ser na menor cidade do interior, ou em uma metrópole como São Paulo, cada ser humano no fundo de seu subconsciente sente uma sensação de exílio em relação ao mundo exterior à sua realidade. Digo isso pois cada um nasce, cresce, desenvolve suas habilidades (pensar, falar e agir) e morre sozinho. Em uma grande cidade você consegue perceber isso muito mais facilmente nas pessoas a seu redor, todos procuram se relacionar, seja por amizade, parceria financeira ou interesse sexual, todos precisam estar de alguma maneira "ligados" aos outros ao seu redor, (isso é o Tantra que o hinduísmo prega, a teia de relações pessoais).
Sinais de fumaça, pombo correio, telégrafo, telefone, radio, televisão, SMS, e-mail, orkut, twitter e facebook, o ser humano sempre está a procura de inventar uma forma melhor de se comunicar, ou seja, onde você consiga expressar tudo o que está sentindo no menor tempo possível. Mas porque?
Simples meu caro leitor, porque todo ser humano (principalmente os das grandes cidades), se sentem completamente sozinhos, e pior, muitas vezes nos sentimos como extraterrestres no planeta Terra. Quem nunca se sentiu único com a sensação de descobrir alguma coisa nova, ou se sentiu a última pessoa do mundo quando fez algo errado.
A internet chegou nesse novo século para revolucionar os relacionamentos. O que uma comunicação em massa, que consegue expressar boa parte dos sentimentos das pessoas, e em tempo real cria? Uma nova forma de pensar e agir! Antigamente todas as pessoas tinham o pensamento centralizado, as mídias como televisão e rádio são somente de 1 via, você só pode receber as informações mas não pode interagir, isso cria um sedentarismo do pensamento, uma conivência dos nossos próprios sentimentos para com o todo.
O advento da expansão das redes sociais está criando uma nova geração, os seres humanos criadores, hoje quem cria as notícias somos nós, e os exemplos estão por ai, o facebook é composto por uma feed de notícias criadas por quem? Você! Outro exemplo que me surgiu essa semana, são os blogs de humor, quem acompanha alguns deles sabe que atualmente eles criam conteúdo para a televisão. O programa Pânico na TV já usou algumas noticias virais como tema de matérias, como o Trenzinho Carreta Furacão, que estourou na rede de blogs e após isso virou matéria do Vesgo, e a ressurreição do seu madruga, que após sair em um blog está sendo procurado pela equipe do pânico. Isso mostra o poder que o povo possui e que muitas vezes não temos consciência.
O que o PC Siqueira quis dizer com a frase dele foi justamente o contrario, todos nós a partir desse momento, isso mesmo, você que está ai lendo essa matéria de cabeça baixa, triste e desiludido com a vida, achando que seu vizinho tem uma mulher mais gostosa (e se você esta lendo isso provavelmente é tão nerd que nem deve ter uma), se você está vivo hoje (não se aplica a zumbis), se você tem um computador e acompanha algum blog (pode até ser esse), então você é um ser criador e nem sabe disso.
A internet conseguiu quebrar uma das maiores barreiras da solidão humana, o pensamento isolado.
Enfim, me estendi demais, esse primeiro post era para ser um agradecimento ao meu primo que me convidou a participar de sua própria rede de relacionamentos (o seu blog), mas achei que convinha dizer tudo isso para ele mesmo perceber que uma criação não nasce isolada, afinal: “A morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti” - Ernest Hemingway
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Por que não votar no Tiririca

Queria produzir um texto completamente desprovido de opinião. Acho que minha inspiração está se esvaindo dia-a-dia. Minha paciência também. Diz-se que "o filósofo não pode declinar da responsabilidade do homem que fala", algo assim, segundo Ponty. Foda-se! À partir do momento em que você começa a
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Inusitabilidades

Quisera ter habilidade linguística para expressar quão bizarras -- seria esse o adjetivo adequado? -- foram algumas das noites dessa semana. Claro que, per se, não seriam lá tão esquisitas se não demarcassem uma série de acontecimentos aparentemente desconexos, estranhos, e principalmente contrastam-se com o fato de
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Velhinho Sentado no Banco da Praça

Comecei alguns posts sobre o momento que estou vivendo agora -- que chamei de "velhinho sentado no banco da praça" -- mas não consegui concluir sem que achasse tudo o que estava escrevendo muito chato ou demasiadamente prolixo, o que contradiz tudo o que sinto nesse momento.  Ontem vi um blog de
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Beleza Rara ou Estética?

Ponho-me a meditar em uma beleza sem igual que às vezes enxergo no meu dia-a-dia. De vez em quando vejo num por do sol, certas vezes num lusque-fusque (caiu esse hifem também?) visto através da janela do metrô entre as estações Santana e Armênia, mas quando menos espero, vejo que estou contemplando a
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Eufemismos e Falácias

Vivemos num mundo cão que vai ficando cada vez mais cão. Ou do caraleo cada vez mais do caraleo. Eu não preciso utilizar-me de eufemismos. Gosto de observar alguns fenômenos interessantes do dito mundo "corporativo". Óbvio que não é um universo interessado no desenvolvimento humano ou dos seres que dedicam-se ao seu desenvolvimento.
São (somos) todos bandos de alienados dedicando-se a mover engrenagens de uma máquina que não sabem bem para que serve. Estão lá porque estão. Simples assim. A televisão mostra que a gravata é o certo a se vestir se se quer se dar bem na vida, então, que sea, embarquemos nessa! O grande problema é que o corpo e a mente humana não comportam essa vida, talvez não tenham sido feitos para isso ou não tenham tido tempo para se adaptar ainda, sei lá.
Um dia, pode ser, as pessoas comecem a abdicar de suas próprias personalidades e servir em tempo integral às empresas, dormindo 2 horas por dia e não se relacionando com outras pessoas, aí teríamos o cenário ideal para as corporações, mas isso ainda não existe. As pessoas adoecem, questionam, se sentem pressionadas... É aí que entram os "atenuantes" -- que vou chamar de eufemismos do mundo corporativo.
Acabo de ler em algum lugar uma recomendação para "temperar a vida" e "comer melhor", em uma palestra em Brasília onde se falou da importância do convívio familiar e com os amigos. Calmalá... Se o convívio familiar é tão importante para a empresa, não seria fundamental que eles melhorassem as condições desse convívio, por exemplo, cumprindo a jornada de 30 horas semanais para todos os bancários prevista em lei e descumprida deliberadamente, repondo as perdas saláriais -- o que faria com que pudesse pagar melhores condições de educação, alimentação, moradia para toda essa família?
O argumento seria, pois, tão somente uma falácia? Não é. Creio eu que a mentira deixa de ser mentira quando aparece algum "crente" para fiar a ela alguma verdade -- mesmo que por conformismo. Claro que ela continua sendo mentira, mas a consciência do "crente" fica mais tranquila, ele morre tranquilo, conformado, pobre de espírito e ignorante, talvez se achando feliz, mas de qualquer forma, é mais fácil viver pensando que estão tentando melhorar nossas vidas e que há uma saída possível que saber que tudo isso é uma falácia e só se rompermos com as mentiras desde o princípio teremos uma chance de real felicidade. É aí que se transforma a falácia em eufemismo.
Acredito que o eufemismo é pior que a falácia. Se eu souber que o argumento é inválido, posso buscar o verdadeiro. Mas quem é que quer saber a verdade? Vamos temperar a vida! Vamos comer melhor!
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O Itinerário de Matraga e o Hindu

Realmente não estou muito inspirado para fazer uma outra análise do itinerário de Matraga: passei o final de semana inteiro fazendo #essaporra para a faculdade. Faço um comentário breve, pois, que não posso fazer no meio acadêmico, mas que notei enquanto escrevia o dito texto durante o final de semana.
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Balé de Marx e a Mulher Linda no Ônibus

Não posso dizer que não me canso de viver as experiências bizarras que vivo em São Paulo, pois que são cansativas elas são. Mas não deixo de achar intrigante as coisas que observo aqui e que certamente não veria nas pacatas cidades que conheci em Minas ou até mesmo em outros centros urbanos daqui ou do continente.
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Como conheci Matraga

Nunca fui lá grande fã de Guimarães Rosa, que me trás à mente memórias desconexas de Baleia, a cachorra de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e de duas parentes do próprio Rosa, com quem tive ótimas (e péssimas) experiências em uma cidade não tão próxima de Belo Horizonte, além da época em que eu fazia
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Paixões da Alma, artigo 50

Confesso: estou sendo repetitivo falando desse cara, mas que posso fazer se é ele que tenho estudado neste último período? Vamos ver o que é que o crivo do "Editor" vai permitir sair no artigo...
Todavia, reproduzo abaixo um trecho que peguei num livreto de John Cottingham comentando as Paixões de
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conhecimento:::verdadeiro?

Noite engraçada de domingo, "dominus dei". Eu iria assistir um filme Almodovar, que me lembro de ter assistido outrora, em 2006, quando foi lançado. Na primeira cena de sangre, todavia, desisti, meu estado de espírito
 
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